O direito dos animais

A LEGITIMIDADE IDEALIZADA PELA LEI DO MAIS FORTE RESULTA NA ACEITAÇÃO DA BARBÁRIE E ENTÃO POUCO CONTRIBUI PARA ÉTICA HUMANA.

É um grande desafio contestar a parte dos ideais humanos, egocêntricos, que o dão a noção de superioridade por meio de qualquer forma de poder acerca dos outros animais, e mesmo dos outros humanos, mas vamos as ideias:

  • SUPERVALORIZAÇÃO HUMANISTA

O fato de que nós humanos somos superiores no quesito inteligência em relação aos outros animais é indiscutível, porém isso não nos coloca no direito de decidirmos sobre a vida destes outros seres. Esta ideia moral antropocêntrica de que, por sermos humanos, podemos explorar e matar outras espécies chama-se especismo. É uma ideia que nos coloca em superioridade aos outros seres que aqui habitam e então podemos exercer poder, uma discriminação assim como foi encarada a suposta superioridade racial ou sexista, ou seja, as ideias permissivas – e primitivas –  sobre a causa do sofrimento sempre partem de um princípio de admissão superioridade.

  • QUAL É O VALOR DA SUA VIDA?

Para a escravização animal é usada a mesma falsa ideia de superioridade e posse sobre a vida dos outros, essa mesma ideia era usada na escravidão dos brancos sobre os negros, ou mesmo dos homens sobre as mulheres. Ao cometer qualquer tipo de escravismo, tira-se o direito a vida, pois força-se um ser a exercer uma função ou atividade contra sua vontade. Há de se colocar, com empatia, no lugar dos outros, sejam eles animais ou humanos, a fim de compreender o quanto é indesejável qualquer tipo de violência contra a vida, contra a vontade, contra o direito de ser.

  • INCOERÊNCIA: ANIMAL X RACIONAL

É incoerente na questão ética, à vista do princípio da igualdade, a permissão moral de que podemos proteger apenas os seres que gostamos e que os outros podem ser explorados ou mortos, pois num conceito de moral pura baseada no bem comum todo o ser senciente, que é capaz de sentir dor e prazer, tem valor em si mesmo, na sua própria existência, assim como nós devemos, para que vivamos, ter nossa existência respeitada diante do pensamento dos outros. Este é um valor que nós humanos podemos compreender, o valor da empatia, mas que só quem é generoso o suficiente para com os outros pode optar por colocar em prática.

  • ÉTICA ENQUANTO MORAL

Moralmente errada é a ação que afetam negativamente outras vidas e estas devem ser contestadas, simplesmente porque não existe o direito de prejudicar e sim o direito de existir e também o de preservar – e de buscar – a boa existência.

  • ARGUMENTOS RELIGIOSOS

As crenças religiosas podem sim forjar uma permissão moral para qualquer ato, por exemplo a argumentação baseada em ensinamentos bíblicos na qual se diz que Deus fez os animais para nos servir. Questões religiosas como a citada tornam-se discutíveis quando se vê que sempre há uma corrente filosófica inversa utilizando a mesma religião e partindo da mesma fonte, porém com argumentos e interpretações diferentes, no caso do exemplo que foi dado há uma ideia inversa nomeada cristianismo vegetariano.

  • HITLER ERA VEGETARIANO! (um hoax bastante difundido) 

Hitler matava humanos – que também são animais – por se achar superior a eles e, provavelmente, quem usa esse argumento mata outras espécies animais por ser achar superior a elas, logo ambos partem de uma ideia de superioridade, ou devemos dizer que tirar a vida de seres conscientes não é assassinato?

  • ARGUMENTO DOS HOMENS DAS CAVERNAS

Você já parou para pensar: Qual é o seu direito de tirar a vida – sim, assassinar – um outro ser? Você acha que pode matar outro ser que é senciente, ou seja, que sente prazer, felicidade e dor? Ou talvez que possa tratá-lo como escravo, aprisionado, explorá-lo em uma vida de completo sofrimento? Você gostaria de viver nessa condição?

A resposta a essa pergunta que todos temos para nos livrarmos da culpa é “somos onívoros”, “somos o topo da cadeia alimentar” ou “mato para me alimentar”. Essas justificativas são lógicas e compreensíveis, de um ponto de vista animal, afinal uns animais comem os outros, porém é uma justificativa ‘burra’ se formos pensar com a razão humana. A razão está diretamente ligada ao termo empatia, nós humanos temos a capacidade de nos colocar no lugar dos outros. Quanto mais nos consideramos racionais e consequentemente menos ‘animais’ e egoístas mais desejamos aos outros o direito de serem felizes, claro que esse direito conclui-se em não tirar o direito do outro de ser feliz também, é um ciclo inteligente, onde todos não se prejudicam.

  • EVOLUÇÃO RACIONAL PRA QUÊ?

Se alimentar de animais é algo, nos dias dia hoje, completamente desnecessário, ou seja já atingimos um ponto em que isso é algo descartável, logo, podemos optar por não fazê-lo, e esta opção é coerente – se formos racionais – por ajudar os animais, o meio ambiente e honrar a sabedoria que temos.

  • LIBERDADE?

Quando nossa miopia ética nos dá a liberdade para agredir a liberdade do outro é ferida, desta forma é justa e de boa prática a renúncia de um ato que prejudica, assim impondo a nós um limite nos desejos, então preserva-se a harmonia e a liberdade de ambos torna-se reduzida, porém, aproveitável e saudável, ou seja, busca-se com o exercício da renúncia uma consciência mais coletiva e como resultado faz-se uma sociedade – inclui-se aí os animais em geral – menos turbulenta.

  • HIPOCRISIA

A crueldade contra os animais é para a maioria das pessoas algo considerado repugnante, mas a aceitabilidade que se mostra sobre o uso dos mesmos é normalizada. Este pensamento permite o sofrimento animal, e claro que o discurso sobre protegê-los e permitir sua objetificação é inconsistente e hipócrita.

  • A INDÚSTRIA

A indústria agropecuária destrói o meio ambiente e cria um ciclo desnecessário: alimenta alguns animais – que comem mais que nós – para nos alimentar. O sub-sistema que as grandes indústrias agropecuárias mantém é artificial, são modelos antinaturais de vida criados para alimentar somente o ego humano, estes ofendem o direito a vida dos animais e a natureza dos mesmos tratando-os como objeto, ou seja, é anti-ético quando o quesito é liberdade a vida, e o grande propósito: dinheiro, vendem vidas por dinheiro, mas claro há muitos investidores para isso.

  • SOBRE TESTES EM ANIMAIS

Os cientistas legitimam o método de testes em animais, pois este é ainda o mais qualificado para o desenvolvimento de remédios para a cura de patologias humanas, e para isso dizem: “Crueldade seria se não fosse para algo útil, se fosse sem motivo, mas tortura sem motivo é sim crueldade.” Na verdade qualquer tipo de privatização de seres, sejam eles humanos ou animais é crueldade. O que se faz é criar um motivo pra aceitar o fato dessa crueldade, neste caso especista, onde humanos são elevados ao topo de uma hierarquia invisível, sendo que cada ser tem suas características mais evoluídas. O fato é que humanos são bons nisso, são bons para apoiar motivos ignorando outros para se defenderem, por exemplo, quando você bate em alguém que você não gosta, justificando que este é uma ameaça para si. No caso de testes científicos em animais esse motivo é a necessidade de se fazer remédios.

  • A LÓGICA

Observe como a lógica dos homens depende do ponto de partida, da premissa, veja os silogismos:

A lógica de quem come carne:
Homens são onívoros.
Eu sou homem.
Posso comer carne.

Essa é a perspectiva egoísta, animal, ela nos mostra comer carne é algo normal.

A lógica de quem não come carne:
Homens são empáticos.
Eu sou empático.
Não devo maltratar/matar outros seres sem necessidade.

Essa é a perspectiva racional, ela nos mostra que comer carne não é algo normal.

  • QUESTIONAMENTO

Nossos interesses quando convertidos em ações prejudicam ou beneficiam aos outros, então eis que surge uma questão: Você acha que seu prazer vale o sofrimento dos outros? Se respondeu não, aí já está um motivo para parar de investir no sofrimento alheio, se respondeu sim vamos a outra pergunta: Você acha que o prazer dos outros vale o seu sofrimento? Se respondeu sim você é logicamente coerente e adepto a uma teoria caótica, já se respondeu não, sinto em lhe informar que não tem uma coerência no seus ideais e isto te torna um ser egocêntrico e ao mesmo tempo contraditório, e quando levamos essa ideia a sério negamos nossa insignificância e também o direito a vida do outro, portanto quando colocamos o nosso ego acima dos outros nos tornamos prejudiciais ao mundo em que vivemos.

  • AS OPÇÕES

Cada pessoa vê o seu lado, há artigos científicos para defender o consumo de carne e há os que dizem que o mesmo faz mal a saúde, então essa questão é mais filosófica do que científica – lembrando que os animais são seres, que assim como nós, sentem dor e prazer – e deste ponto de vista, diante dá razão humana só há duas opções: acreditar no direito a vida, colocando a ideia da racionalidade em primeiro plano, ou acreditar na ideia de que cada ser luta pelo seu próprio ego, ressaltando assim a animalidade.

O problema humano é simples ele se acha superior a todos os outros, tem seu amor seletivo e desta forma desligam a empatia a todos que não lhe servem de interesse. Este problema vai muito além, é um problema de direito a vida, o mundo será melhor quando perceberem que animais e pessoas não são propriedade privada. O amor a própria espécie como argumento naturalista é enfrentado pelo amor ao poder que o dinheiro trás. Todos os defensores dos direitos a vida humana e dos animais tem grandes problemas a enfrentar.

ANTES DE CRITICAR OS ARGUMENTOS CONTRA O ESPECISMO LEIA: Falácias Naturalistas

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