Empatia relativa

Nós seres humanos carregamos conosco amor, neutralidade e ódio. Esses três se dividem em uma escala de diferentes níveis. Mas afinal, por que somos assim? O que faz colocarmos pessoas em patamares diferentes?

Penso que isto surgiu da nossa incrível capacidade de querer conhecer tudo, e para conhecermos é preciso que consigamos classificar as coisas, e assim conseguindo colocar rótulos podemos ter um conceito sobre as coisas, a ‘scala naturæ’ é um grande exemplo de sistema de classificação que começou de forma errada.

O problema nasce quando classificamos as coisas, quando fazemos isso colocamos coisas com bagagens que a elas não pertencem, colocamos ideias culturais de que algumas coisas são melhores que outras por algum motivo, seja metafísico, este foi o erro da ‘scala naturæ’ em seu início, ou biológico.

Quando classificamos as coisas vinculamos elas a um grupo com características bem definidas, e então pensamos saber tudo sobre essa tal coisa, o que não é uma verdade. Por exemplo, como podemos classificar uma pessoa em uma ideologia política e julgá-la defensora de causas que nem declarou, ou nem mesmo refletiu, sobre? As coisas não funcionam assim, colocar algo ou alguém em um determinado grupo e atacar o grupo todo e todas suas causas defendidas de forma generalista é burrice, é preconceito.

O julgamento que temos sobre as coisas e pessoas é limitado demais para que possamos julgar de uma forma profunda, nosso julgamento é naturalmente falho, falho por ser limitado, por termos pré-concebidas classificações generalistas sobre tudo, classificações que são concretas demais para as pessoas que são abstratas demais – exceto aquelas que se extremam – e transitam por diversos ideais sem ideologias fixas.

As classificações biológicas nos servem para conhecermos as coisas de forma científica, mas não nos servem quando discutimos ideais. Qual diferença faz se uma pessoa é negra ou branca? Homem ou mulher? Hétero ou homo? A classificação geral nos coloca no mesmo patamar, todos somos humanos, e não devemos ter liberdades feridas por sub-classificações. Não devem ser erguidos muros imaginários que permitam relações opressoras de poder, muros estes como o racismo, o machismo, a homofobia, independente da classificação ideológica que o diga, não há raça pura, não há definição sexual melhor que outra, não há melhor nacionalidade, isso é coisa dos nossos preconceitos.

Apesar de tudo, da nossa empatia relativa, é impossível romper nossas classificações de pessoas, pois já estão fixadas em nossas mentes a ideia de nos separarmos, somos individualistas e queremos nos colocar em grupos que queiram o mesmo que nós e aos outros fazemos o mesmo. Mas ao mesmo tempo que não podemos parar com nossa mania natural de rotulagem podemos mostrar o quanto somos ignorantes em nossas classificações e assim aprendemos a julgar após conhecer bem algo, não de primeira, não por aquela pessoa pensar diferente da forma que pensamos. Dessa forma podemos diminuir nossos preconceitos e sermos mais felizes, por que aí aprendemos a aceitar mais as pessoas, aprendemos a debater ao invés de embater, e assim afastamos as pessoas da parte onde carregamos o ódio.

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