“Não há cultura do estupro”

Quando um indivíduo utiliza-se da força para satisfazer suas necessidades levando outro indivíduo ao sofrimento configura-se uma relação de violência. E é disto que se trata o estupro. Estupro é uma relação de força sem consentimento, e portanto é violência – uma violência das piores visto que não há justificativa alguma que possa justificar este ato senão o egoísmo sádico daquele que o comete. E neste termo há diversas escalas que podemos assim considerar.

“O estupro não é um ato sexual. É um ataque. Trata-se de poder, de vencer, de conseguir um objeto.”

O termo estupro é relativo a qualquer ato libidinoso e não só sobre ao coito vagínico ou anal, a penetração na vagina ou anús da mulher. Forçar qualquer tipo de violência sexual, seja sexo oral, um beijo roubado, lamber ou apalpar o corpo de outra pessoa, despir a roupa, com o fim de satisfazer a libido sem devida permissão é considerado estupro.

No artigo 213 do código penal diz-se:

Estupro 

Art. 213.  Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso.

Pode-se até tentar, mas é difícil negar uma cultura machista e de estupro num lugar onde gostam de um comediante que faz piadas de mau gosto, um ator é aplaudido por contar uma história de estupro, um deputado incita estupro e em páginas da internet há pessoas querendo o direito de estuprar. Talvez essas pessoas não percebam que coisas assim reforçam hábitos de objetificação da mulher e até mesmo a mente de um estuprador, fazendo com que as pessoas continuem a acreditar que a culpa é da vítima.

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Isso resulta também em percepções populares conservadoras, retrógradas. Por exemplo, quando se fala em cortar pênis de estupradores como legítima defesa há muita gente que considera uma atitude radical, mas rir de notícias sobre estupro, ignorando as consequências que podem trazer, não incomodar tanto assim.

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Edna, mãos de tesoura. Por Pirikart. (facebook.com/tiraspirikart)

Afirmar que há cultura do estupro não é nenhum absurdo, quando muitos homens objetificam mulheres e tentam forçá-las a satisfazer seus desejos sexuais cometendo alguma das ações que envolvem a ideia de estupro.

Acredite se quiser, estamos num país que tem na bandeira o lema “Ordem e Progresso” e há quem leve essas coisas na brincadeira. E o pior de tudo é saber que, infelizmente, essa inversão de valores tem feito muitas vítimas por aí.

“A melhor maneira de se recuperar do abuso ou da violência sexual é não ficar calada.”

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