Ódio e poder de consumo

O que para uns é uma bíblia semanal para compreender o cenário político e econômico, para outros é papel desperdiçado. A revista Veja é causadora de duelos fervorosos nas redes sociais, assim como o contra-ponto também cabe a essa interpretação, a revista Carta Capital, que constatadamente tem menor expressão, também causa furor. No cenário nacional elas são as maiores no que lhes cabem, mas claro há suas companheiras de mídia com alcances menores.

A Carta Capital se posicionando publicamente à esquerda se coloca em vantagem, na questão de transparência, por assumir seu perfil ideológico. Já a Veja, prefere conservar – que coincidência irônica – sua inclinação política, no entanto seu posicionamento antagônico aos ideias esquerdistas é facilmente decifrável, basta observar seu corpo e produção editorial.

Diante de seus princípios ambas entram em contradição ideológica. Em rigor elas enriquecem fomentando a luta de classes, que foi à tempos teorizada pelos sociólogos esquerdistas. Veja portanto, deveria amar mais Marx e compania, e Carta Capital, amar menos o capitalismo.

Claro que isto é uma crítica absurda e surrealista visto que elas são um espelho social, elas coletam, compactam, e amplificam os debates, são reproduções massivas das batalhas sociais. Portanto não é realizável o abandono de suas contradições, pois na prática dizimaria ambas.

Além do mais há uma questão estratégica, o investimento que um indivíduo faz ao comprar uma revista que corrobore com seu pensamento, fomentado por vezes pelo ódio, não poderia ser realizado sem as batalhas que elas capacitadamente e intelectualmente organizam. Ou melhor dizendo, o ódio compra revistas, e elas sabem, apenas fazem seus papéis, entregam as ideias confortáveis de “estar certo” e a capacidade de se rebelar que as pessoas querem.

A violência é armadilha cotidiana, não se reduz as mídias que a reproduzem. Quem nunca “agitou” uma briga na escola que atire a primeira pedra. Devidamente medidas as proporções e responsabilidades que estas acarretam, é cabível a percepção de que o progresso, ou não, que pregam é violento, tanto do lado que preza as forças governistas e sociais, quanto pelo outro que coloca o mercado acima disso. A arte imita a vida, e neste caso, sedenta por sangue, a arte da escrita.

dahmer

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2 comentários em “Ódio e poder de consumo

  1. O ser humano tem a necessidade de se autoafirmar constantemente independente do assunto, mesmo que pra isso ocorram desavenças entre os envolvidos nas discussões, o que ocorre na maior parte das vezes. E as revistas estão cientes dessa necessidade de um conteúdo que afirme e apoie opiniões políticas, mesmo que pra isso tenham que exagerar, usar falacias e modificar fatos contidos em suas notícias, assim elas conseguem facilmente obter lucro se aproveitando do ódio das pessoas. É a mesma coisa com revistas de fofocas que se aproveitam da curiosidade alheia.

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  2. […] ressaltar que não são todos os integrantes dessas classes que são a favor de medidas drásticas. O maniqueísmo ideológico está fortemente presente nas pessoas extremistas, fortalecido pelas míd… e os cartazes que vimos nas ruas são defendidos apenas por uma parcela desinformada da […]

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