Muitas pessoas estão com raiva de mim, e elas estão certas

Estão com raiva por que eu sou o que elas chamam de “absolutista”, que sustenta que não podemos justificar qualquer uso animal.

Elas estão certas.

Eu sou um absolutista, a este respeito, assim como eu sou um “absolutista” em relação ao estupro, ao abuso sexual de crianças, e outras violações fundamentais dos direitos humanos. Na verdade, eu não tenho outra caminho. Absolutismo é a única resposta moralmente aceitável para a violação dos direitos fundamentais de seres humanos ou não-humanos.

Elas estão com raiva por que eu rejeito sua “prova empírica” ​​que a promoção da reforma  bem estarista e não-veganismo é “eficaz” para ajudar os animais e é mais “eficaz” do que promover o veganismo como um imperativo moral.

Elas estão certas.

Não há nenhuma prova e seus supostos “estudos” não são nada mais do que o Dr. Casey Taft, Professor na Universidade de Boston e especialista em projeto de pesquisa e metodologia, as chamadas “pseudociências” que estes grupos utilizam de uma forma a se auto afirmar.

Elas estão com raiva por que eu considero que todas as grandes instituições corporativas de caridade como nada mais do que empresas que vendem os interesses dos animais para que eles possam ter uma base amplas de doadores.

Elas estão certas

Estou chocado que estas organizações promovem a exploração “feliz” e o “reducetarianismo”, em parceria com exploradores institucionais, dão prêmios para designers de matadouros, e geralmente promovem a ideia de que há uma maneira “compassiva” para explorar os animais não-humanos. Rejeito a ideia de que devemos promover animais prejudicando-os e supondo maneiras “melhores” para que possamos levantar maiores quantias de dinheiro para que possamos, assim, supostamente ajudar os animais.

Elas estão com raiva por que eu rejeito a ideia de que não devemos promover o veganismo como um imperativo moral, porque é tudo uma questão de estar em uma ” jornada” e “passos pequenos” dão certo.

Elas estão certas.

Imagine alguém dizendo: “Levei um tempo para deixar de ser um racista, então eu acho que o movimento dos direitos civis devem promover a ideia de que isto é bom para que todos possam aprender a abraçar a igualdade em seu próprio ritmo. Se alguém pensa que está tudo bem no sentido de discriminar pessoas de cor, não podemos fazer julgamentos. Para dizer que a igualdade é uma base moral inequívoca é só tomar a ideia da “minha forma ou a caminhada”. Precisamos de passos pequenos. Vamos começar com a segunda feira sem racismo.”

Tomar uma posição diferente, onde os animais não humanos estão aflitos é apenas especismo.

Elas estão com raiva por que eu acredito que todo mundo pode entender que o veganismo deve ser uma base moral.

Elas estão certas.

Rejeito a ideia de que “mães solteiras” não podem compreender os princípios morais (como foi afirmado pela Viva! No meu recente debate com eles no VegFest em Londres), ou que “é preciso levar em conta as limitações das “pessoas comuns” porque elas não possuem requisitos para tais “capacidades intelectuais e morais” (como afirma Ronnie Lee fundador da ALF), ou que as pessoas simplesmente não podem entender a mensagem do veganismo, porque é muito “extrema” (como indicado por quase todos os “organização pró animais” lá fora).

Acredito firmemente que muitos, se não a maioria, das pessoas já abraçam ideias morais que podem levá-las ao veganismo. São os grandes grupos dizendo às pessoas que elas podem consumir animais “com compaixão”, este é o problema, e não a inteligência supostamente limitada das “pessoas comuns”. As “pessoas comuns” não são o problema. “Animais humanos” são o problema.

Elas estão com raiva que eu rejeito suas campanhas de um só tema que necessariamente promovem a exploração animal.

Elas estão certas.

Tais campanhas promovem necessariamente a ideia de que esses produtos de origem animal que não estão sendo alvejados são moralmente aceitáveis ​​para o consumo e, assim, perpetuam a exploração e a ideologia especista.

Por exemplo, uma campanha que se opõe ao foie gras promove ao público a ideia que foie gras é pior do que outros produtos de origem animal, e que esses outros produtos são moralmente aceitáveis para o consumo. Se esta não fosse a mensagem da campanha, não receberia apoio ou doações de pessoas que se opõem ao foie gras, mas que pensam que comer outros produtos animais é excelente.

Elas estão com raiva que eu afirmo que nós não precisamos dessas grandes caridades animais e que em vez disso precisamos construir um movimento popular de pessoas sem botões “doar”.

Elas estão certas.

A mudança no paradigma de propriedade animal para a pessoalidade animal nunca vai acontecer, a menos que tenhamos um movimento de pessoas que não são dependentes de doações (e que não estão sujeitas aos incentivos perversos que assim resultam), e que estão trabalhando em suas comunidades para educar os seus vizinhos, amigos e parentes sobre o veganismo como um imperativo moral.

O falecido Nelson Mandela disse: “A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.”

Educação de base não exige organizações envaidecidas, CEOs ou Diretores Executivos, ou botões “doar”. Ela exige indivíduos com compromisso.

Como Margaret Mead observou certa vez: “Nunca duvide que um pequeno grupo de cidadãos preocupados e comprometidos podem mudar o mundo; na verdade, é a única coisa que sempre ocorreu.”

Elas estão com raiva que eu vinculo direitos dos animais aos direitos humanos.

Elas estão certas.

Eu tenho feito isso desde que eu comecei o meu primeiro trabalho no movimento dos animais na década de 1980. Nós relativizamos outros humanos e não humanos e isso nos permite violar os direitos fundamentais de todos. Precisamos rejeitar relativização do outro completamente. Eu reconheço que esta não é uma boa ideia para aqueles que fazem captação de recursos porque eles querem obter doações de pessoas que são racistas, sexistas, homofóbicas, anti-semitas, islamofobicas, etc. Mas isso é uma razão patética para rejeitar a ligação clara entre o ser humano e direitos não-humanos.

Elas estão com raiva por que existe um movimento abolicionista de bases emergentes em todo o mundo.

Elas estão certas.

O movimento abolicionista está se espalhando. E é precisamente por isso que todos eles passam tanto tempo tentando suprimir as ideias expressas aqui e em meus sites, ou reinterpretar “abolição” como permitindo a reforma do bem-estarismo, campanhas de um só tema, “reducetarianismo”, e todos as outras abordagens que eles vendem, ou a tentativa de descaracterizar a minha posição ou atacar a mim pessoalmente e me difamar.

O movimento abolicionista promovido aqui não tem escritório, não tem um estado caritativo, não tem empregados, não é nada mais que uma ideia. As pessoas são livres para aceitar ou rejeitar essa ideia. As pessoas são livres para aceitar os argumentos que fazem em apoio dessa ideia como válida ou como não válida. E um monte de pessoas estão aceitando estes argumentos válidos e estão adotando a posição abolicionista.

Que está ameaçando o negócio de reforma de bem-estar animal e da exploração “feliz”.

Isso está deixando as pessoas mesquinhas e mal-intencionados com inveja.

Em suma, eu realmente entendo por que elas estão com raiva.

E eu considero uma medida de sucesso da abordagem abolicionista elas estarem reagindo desta forma.

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Se você não for vegano, por favor, vire vegano. O veganismo é sobre a não-violência. Em primeiro lugar, é sobre a não-violência a outros seres sencientes. Mas é também sobre a não-violência à terra e não-violência para si mesmo.

Se os animais importam moralmente, o veganismo não é uma opção – é uma necessidade. Tudo o que afirma ser um movimento pelos direitos animais deve deixar claro que o veganismo é um imperativo moral.

O mundo é vegano! Se você quiser.


Gary L. Francione. A lot of people are angry with me – and they are right, The Abolitionist Approach, 04 nov. 2015. [link]

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