O que é bondade?

Bondade é o ato de causar bem-estar – sensações agradáveis -, sem violar a liberdade individual de outrem. Só seres sencientes tem um bem-estar considerável, ou seja a bondade é um valor moral relativo a felicidade naquilo que podemos considerar como indivíduos. Tudo aquilo que não detém reações complexas, além daquelas simples físico-químicas sem sistema nervoso, que causa a senciência e num nível mais complexo preferências e subjetividade, não tem interesses relevantes e, portanto, não pode ser considerados um indivíduo. Plantas e embriões (até determinado momento) não são seres sencientes, já grande parte dos animais são.

Então quer dizer que se eu fizer algo bom para mim que cause sofrimento a outro indivíduo isto não pode ser considerado bom?

Isso mesmo, pois seria uma “bondade” instrumentalizada apenas para te favorecer, seletiva e injusta. Assim como a realidade a bondade deve ser objetiva e não subjetiva. Porém há exceções a regra que permitem a instrumentalização servil do outro, isto acontece em casos de conflito real, como a luta pela sobrevivência ou a legítima defesa, fora estes casos todo sofrimento é desnecessário.

Como posso saber se uma situação é necessária para minha sobrevivência?

Sobrevivência no termo estrito é uma necessidade primária, ou seja são as necessidades fisiológicas, necessitamos de conhecimento para sabermos de fato tais necessidades, por exemplo, o ato de comer carne é essencial para a sobrevivência de uma tribo que ainda não abandonou a subsistência, pois eles podem ter sua saúde prejudicada por falta do conhecimento acerca do que é necessário para suprir tais necessidades, mas para a esmagadora maioria dos indivíduos das sociedade desenvolvidas, que tem acesso ao mercado, variedade de alimentos e acesso a informação sobre nutrição, isto deixou naturalmente de ser uma necessidade, pois há alternativas viáveis. Então, em sua realidade, que não suportam mais as justificativas que optam pelo egoísmo, se estes quiserem se considerar bondosos terão de transformar-se evitando cometer tais atos que nada tem a ver com uma exceção.

Se eu causar danos há uma árvore, por exemplo, eu estaria sendo bom ou mal?

Para obter uma resposta sobre esta pergunta você precisa avaliar as consequências que este ato podem trazer. “Ferir” uma árvore, que não é um indivíduo subjetivo, não é por si só um ato de bondade ou maldade. Ou seja, pode haver maldade ou bondade indiretamente, dependerá do quanto isso poderá causar mal ou bem-estar a outros indivíduos.

Aquilo que não é bondade, é maldade?

Não necessariamente, maldade é o ato de causar sofrimento desnecessário ou por em risco em a vitalidade de um indivíduo. Se você não está fazendo nada para prejudicar outro indivíduo está respeitando-o, ou seja, não está cometendo nenhuma maldade.

A bondade existe para além das concepções humanas, das valorações morais?

Essa pergunta não tem resposta, pois para além do conhecimento é tudo suposição, então o importante é que esta definição sirva enquanto existimos, pois a existência é real, ou seja, não importa se exista algo para além da vida, a bondade pode ser requerida pela simples lógica, pelo reconhecimento dos desejos fundamentais que são iguais entre os seres sencientes. Falando de outra forma, não é necessária nenhuma ideia dualista para sustentar a moralidade, portanto, pode-se ater-se ao materialismo exigindo condutas morais logicamente coerentes, como o princípio da igualdade ou da igual consideração de interesses semelhantes. Independente de existir um propósito para a vida (objetivo existencial) ou não existir (niilismo existencial) é possível ser bondoso ou maldoso, pois até onde sabemos isso independe da perspectiva existencial.

Se um ato é bom para mim por que não posso fazê-lo?

Você pode fazê-lo, todos temos liberdade de escolher o que queremos, mas não deve. Não há como requerer progresso social sem requerer uma moral objetiva, ética, requere-la apenas um ponto e em outros não acaba em algum momento sendo contraditório. Se cada indivíduo quiser obter apenas benefícios, tendo ações sem medi-las, não seria possível colocar nenhuma proteção a integridade ou a sobrevivência alguma a nenhum indivíduo, ou seja, a partir do momento que você não respeita outros indivíduos não há como logicamente requerer que respeitem a sua integridade, o relativismo moral não tem coerência. O surgimento da nossa razão e o desenvolvimento da nossa moral implica que com conhecimento não podemos mais justificar a amoralidade, ou pregar a “maldade”, que se faz presente na natureza pois ela não leva nada a lugar nenhum, guia-se na luta constatante pela sobrevivência ser contratos sociais complexos. Neste ponto conhecimento implica responsabilidade, negá-la é irracionalidade.

Eu tenho o dever moral de ajudar os outros?

Não, mas você tem a obrigação moral de não prejudicá-los, ou melhor dizendo, de respeitá-los. Se você vê uma situação de injustiça e de fato não foi você que a cometeu, a financiou ou a sugeriu, ela simplesmente não é culpa sua, todavia calar-se diante dela pode revelar sobre seu caráter.

A bondade não existe, pois sempre fazemos ela pensando em fazer bem para nós mesmos. Sendo o interesse privado o objetivo maior de qualquer indivíduo a busca do bem comum é um disfarce?

Ainda que todos os nossos atos sejam egoístas, para nos satisfazer em algum ponto, temos que pensar neles pelas suas consequências para outros indivíduos, o quão eles levam em conta os interesses dos outros indivíduos, ou seja, não se parte da perspectiva de si mesmo para fazer uma análise sobre a bondade e sim a partir das relações, o objeto de estudo da ética é este portanto, o benefício comum. Se todo humano, egoísta, respeitar e ajudar os outros isto será bom, pois ao não beneficiar só a si mesmo ele trará na prática o progresso independente disto ser um disfarce.

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