Ceticismo Existencial, Objetivismo Moral

Diante de todo o conhecimento que detemos hoje, sobre a natureza e sobre como “funcionamos” é bastante conservador crer que há uma essência especial que perpetua a nossa vida, a vida dos humanos. A fé, neste ponto, é a negação da razão pois o indivíduo que nisso crê ignora propositalmente, com autonomia, quando não desconhece, todo o conhecimento científico que leva-nos a crer que não somos especiais. Não há boas evidências parar crermos que para além da morte nossa individualidade será preservada, a fé não se justifica para além da subjetividade, da crença pessoal.

Talvez crer numa teoria panteísta seja mais razoável, pois não temos resposta acerca da energia contida no universo, e tudo que se move é energia, este é o último componente de todos, morreremos e nosso cérebro se esfarelará, nossa massa será transformada, mas nossa energia se preservará, mas isso não diz nada sobre nossas memórias ou sobre nossa singularidade. Ainda sim, não é porque não conseguimos concluir acerca de onde vem tais energias que a melhor explicação seja um suposto criador, isso ainda permanece irrelevante, pois para além do conhecimento é tudo suposição e viver com suposições últimas esquecendo-se de enxergar os fatos é viver numa ilusão.

Eu não excluo a possibilidade de existir algo para além da vida, ainda que cientificamente falando isso seja improvável, mas acredito que viver uma vida depositando boa parte do tempo tentando justificar a existência é um desperdício, há muitos problemas para resolvermos no mundo para nos preocuparmos com seres que não podemos enxergar, seres que fomos ensinados a acreditar. Então me resta achar pífio nos mantermos sob dogmas imutáveis e vivermos num profundo egoísmo para nos beneficiar, e supostamente nos salvar. A religião nos torna medrosos, vivemos negando o simples raciocínio de não prejudicarmos os outros, queremos incrementá-lo, mas ele basta para os conflitos morais, sabemos que é possível um mundo melhor para todos e que isso parte da consequência de nossas ações, não precisamos buscar isto num sentido sobrenatural.

Eu, depois de tanto raciocinar e tentar resolver questões complexas demais abandonei a ideia de respostas simplistas e prontas, abandonei a ideia de buscar um suposto propósito que vá além da existência, assim eu apenas tento fazer o bem simplesmente pela lógica, sem precisar de respostas últimas, sem precisar apelar à coisas sobrenaturais, sem esperar por recompensas divinas, sem tentar garantir a minha vida eterna.

Não faz diferença alguma qual crença transcendental uma pessoa prefere, isso não torna ela mais ou menos humana que outra pessoa, os atos dizem muito mais sobre o caráter de um indivíduo que sua religião ou sua não-religião. Claro, é direito de cada um acreditar no que quiser, mas prefiro mil vezes manter meus pés no chão diante da gravidade que acreditar que estamos cercados de seres que não podemos provar, prefiro preservar minha razão crítica a me sujeitar a uma razão servil, a obedecer algum “líder” ou religião, minha consciência não precisa ser paga, não prostituo minha razão, ela é autossustentável, portanto, prefiro viver bem e buscar o bem dos outros indivíduos aqui e agora, viver diante do espectro visível, do que tentar me eternizar.

Não havendo mais necessidade existencial para justificar, a vida para mim simplesmente está acontecendo, meu propósito se limita a matéria, o que vem depois, descobrirei quando morrer, ou não.

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