O nada

Pensamos no sentido porque temos a razão.

Todo o resto que não sapiente apenas vive.

Nós percebemos que existimos.

Tal razão nos faz mais conscientes mas nos maltrata.

Pensamos se há propósito, objetivo.

Se há uma missão escondida por detrás da miséria que é a matéria.

Nas injustiças da natureza caótica procuramos ordenadas respostas.

E aí resolvemos que queremos não ser só um aglomerado de átomos.

Não nos contentamos com o nada, queremos ser infinitos.

Inventamos um sentido. Assim não ficamos perdidos.

Humanizamos o universo. Cremos que fomos construídos por alguém.

Um super-humano que não falha. Somos objetos de uma essência maior.

Então conversamos com o universo que nada nos diz.

Nossa criatividade nos engana.

Criamos livros e dizemos que são divinos.

Nos apaixonamos por nossas criações.

E contamos para os outros que não questionam mais a veracidade daquilo.

A vida é mais interessante quando negamos a pura realidade.

Como quando nos entorpecemos de drogas, pois esquecemos das mazelas de nossas vidas.

Que ilusão magnifica. Nos conforta, estamos resolvidos.

A existência é só um teste porque temos o depois.

Fazemos de tudo para não sermos castigados. Estamos sendo observados.

E no fim no último suspiro a existência era a única verdade, mas vivemos numa ilusão.

Que tenha sido tudo bom, que tenhamos vividos todos felizes.

Agora já não faz mais diferença.

Nossos olhos se fecharam. Não há o que temer. Não há mais o que sentir.

Tela preta.

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