Se achar especial não te torna especial

O ser humano é um bicho engraçado. Se diz especial mas age como qualquer outro animal. Ele planta sofrimento esperando colher carinho.  Com a capacidade de se comunicar complexamente ele vai além, faz discursos de ódio e espera receber palavras de amor em troca. Se esconde por trás de hábitos exploratórios violentos para justificar seu hedonismo exacerbado e espera que ninguém se revolte. Diz que o sol nasce pra todos mas ajuda a escondê-lo dos outros diante de seus privilégios. Vive injustiça clamando por justiça. Clama por liberdade mas dissemina prisão. Vive hipocrisia e prega honestidade. Se diz lógico mas não vê o quão tal hipocrisia não se sustenta. Se intitula racional sendo irracional.

O ser humano se diz especial mas continua a usar suas características “especiais” para sustentar o que há de menos especial, o auto-favorecimento. Não há nada especial nisso, afinal, qualquer indivíduo, por mais ignorante ou desinteligente que seja pode se usar de seu egoísmo, é a programação padrão. Pessoas e pessoas tentam dizer-se inteligentes mas apontam para defesa de si mesmas, apoiam-se na caótica a violenta natureza para legitimar seus prazeres. Que filosofia é esta que não sai do lugar, não evolui, não é mais do mesmo?

Não obstante, é fácil perceber que o progresso sempre tem mais valor que o apelo ao subjetivismo, a coletividade sempre valerá mais que a individualidade quando falamos sobre a vida, uma vida singular não vale mais que outra e todas valem mais que só um só – isso não quer dizer que a maioria pode massacrar a minoria, pois quebraria a própria premissa fundamental. A construção vale mais que a destruição, a igualdade mais que a desigualdade. É uma matemática simples, mas a animalidade nos faz negá-la.

Podemos assim dizer que a especialidade não está em converter as características diferentes para o fim padrão e sim usá-la de forma mais inteligente para atingir um fim comum e objetivo, ou seja, a real especialidade está em conseguir efetivamente romper a barreira do si mesmo, essa é a capacidade que mais nos distingue dos outros bichos, a negação da desigualdade e do sofrimento, a projeção da ordem, da justiça, da fraternidade e da paz, é o idealismo benéfico, a busca pelo bem comum, a ética teórica e prática.

Não podemos esquecer que o humano nunca deixará de ser naturalmente bicho e não há nada de errado nisto, é sua raiz, mas inutilizar-se das diferenças pode ser considerado bestialidade. Como solução ele poderá progredir a ponto de dizer-se majoritariamente coerente e racional em suas ações, ou será que estamos condenados ao fracasso? No mais, se dizer especial não o torna automaticamente especial, é preciso viver tal “especialidade”.

Um bicho que nega que é bicho mas age como um, engraçado…


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