Breve reflexão sobre a filosofia moral

A filosofia começou literalmente rodeada de mitos, os grandes filósofos (ao menos os que são hoje mais populares) eram convictamente seguidores de ideias dualistas, buscavam uma aproximação com uma teoria unificadora, que desse sentido a vida, pautados pela cultura de suas respectivas épocas, somado ao desconhecimento científico, tiveram embasamento para suas teorias morais. Não há dúvidas que a moralidade antiga estava diretamente ligada a cultura religiosa. Tais teorias foram transformadas e reforçadas com o cristianismo sendo aderido ao império romano. Daí em diante estes valores se espalharam pelo ocidente.

Em diversos momentos da história houveram filósofos que deram a antítese a isto, que não exigiram a necessidade de uma divindade. O mais importante deles, que podemos considerar que difundiu este pensamento foi o provocador Nietzsche. Ele adquiriu alta relevância como filósofo pois apontou sem medo uma filosofia negativa, o niilismo, relatou a subjetividade e mostrou que apesar de termos nos dito absolutistas morais não passávamos de relativistas, ou seja, ele escreveu que não há uma moral absoluta, dando assim uma antítese a metafísica tradicional (ou melhor dizendo teologia disfarçada) que predominou o pensamento filosófico até sua existência.

No entanto, com estas filosofias em ascensão, vem-se um vácuo. Se antes uma pessoa pode se embasar por alguma divindade, uma essência, que lhe direcionaria para os atos morais, que moral há após isso? (É por este motivo que ainda hoje muitos acham um paradoxo ao existir um ateu altruísta.)

Agora aqui estamos, e percebo que a solução dos filósofos morais da atualidade é a construção de uma moralidade em paralelo a ciência, de forma objetivista, que visa a redução dos subjetivismos morais, mas de forma puramente materialista e racional – sem apelos a divindades inverificáveis. Diz-se que Thomas Hobbes foi o primeiro a propôr uma visão secular e naturalista da ética, com a ideia de contrato social.

Seguindo este linha os novos filósofos morais, eticistas por assim dizer, são racionalistas e trazem filosofias morais antigas em novas perspectivas, contextualizam-as, adaptando elas ao secularismo e somando-as aos embasamentos da ciência atual para que não cometam gafes em suas definições. O apriorismo foi em partes deixado, agora os filósofos usam um grau de razoabilidade maior, pois o conhecimento é progrediu muito desde os filósofos da antiguidade – e assim sempre o será -, para formular suas teorias.

A filosofia moral objetiva da atualidade, a ética, continua a ter um caráter universalista, busca um ‘bem comum’ à todos, mas não se faz mais com a declaração de uma essência atemporal, sabe-se que não sendo divindades condições justificadas objetivamente são crenças de verdade e não podem ser julgados como conhecimento, daí pode-se admitir que os humanos não são mais eternos mas devem ter o direito de viver suas supérfluas vidas de uma maneira agradável e isto não soa mais como contradição, e estes teóricos vão além, com o advento da teoria científica da evolução, proposta de Charles Darwin, a ideia de que o ser humano tem um status moral superior pode ser quebrada, isso implicou que pode-se dizer que não só os humanos como também os animais tem direitos – básicos -, pois eles são indivíduos relevantes, sentem dor e tem preferências subjetivas também, é possível considerá-los como pacientes morais de forma análoga aos os humanos incapazes de raciocinar corretamente que também tem tais direitos.

Claro, há uma teimosia no ser humano a continuar a apelar a teologia, a buscar propostas morais provindas de essências e não da lógica humana, não conseguem raciocinar sem tentar conectar ambas ideias, assim concluem como se não fosse possível sermos eticamente objetivos sem um propósito maior, sem um propósito transcendental, nessa visão carente de sentido não há por que ter sistemas que beneficiam a todos, mas esquecem que havendo tal possibilidade forte ela não é paradoxal, é apenas uma moralidade construída razoavelmente e sem apelos ao desconhecido. Não são mais necessárias verdades eternas para falarmos com convicção que é possível uma moral objetiva, pois o objetivismo pode ser feito por humanos, o maior exemplo de sucesso e progresso disso é o método científico.

E por incrível que não há nenhum apelo ao ateísmo em afirmar a “nova” moralidade objetiva – pode-se continuar num impasse agnóstico eternamente sem maiores problemas -, ela apenas faz um direcionamento ao ceticismo e a razão, a liberdade de crença – ainda que seja uma conclusão das nossas limitações acerca da compreensão, mais conhecida como ignorância – sempre prevalecerá, pois, estamos fadados a eterna busca do conhecimento que sempre deixa brechas para convicções anti-materialistas.

Concluo que no atual momento então temos três tipos de moralistas: Os de moral absolutista – por um viés teológico (conservadores), os de moral objetivista – por motivações sociais comuns – e os de moral relativista – estes os com menos coerência, se adaptam as suas vontades imediatas, pós-modernos.

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