O paradoxo da moralidade relativista

É possível afirmar que a moral é relativa a cada indivíduo, sem dúvida, no entanto tal conclusão não assegura nenhuma ideia de direito. Se cada indivíduo determina bom ou mal diante daquilo que lhe agrada e desagrada – que é o que de fato acontece – não há uma conclusão sobre bem ou mal senão subjetivista, logo se um indivíduo resolver matar o outro apelando a sua moralidade isto será mal para o outro mas bom para ele, seria um ato egoísta pois se sabe-se que ambos podem viver, por que deveria ser então justificável um ato assim?

Fato é que a moralidade relativista não define pontos universalistas, não determina padrões morais a serem assegurados entre os indivíduos, é um paradoxo pois não é possível de forma lógica assegurar uma defesa nem mesmo a própria individualidade. Como solução a este paradoxo surge a moralidade objetivista, também nomeada como ética. A ética é a busca de uma moral objetiva, as morais não podem se sobrepor. Sempre que estamos falando de objetividade algumas subjetividades devem ser excluídas, há um domínio de teorias morais justificadas de forma racional com base na generalidade.

Pensar eticamente implica em ser imparcial, ser universalista, não colocando preferências pessoais como critério para a moralidade, é preciso admitir que elas não especiais, é preciso utilizar-se da empatia para descentralizar a ‘moralidade’, tornar o objetivo mais relevante que o subjetivo, partir da própria perspectiva é o natural do humano, mas isto não implica validação do pensamento pois se há supervalorização de um indivíduo, moralmente falando, há um desprezo pela justiça. A base da moralidade deve portanto se propor a assegurar a existência pacífica dos dois indivíduos, buscar um equilíbrio, ou seja, ela visa sempre abranger os padrões morais eliminando os subjetivismos – egoístas – do indivíduo, identificando padrões baseado nos interesses individuais mais gerais, assim independente das vontades e consideração dos indivíduos como ato bom ou ruim. A ética limita a liberdade de ação sempre que essa liberdade fira a liberdade do outro, ou seja, ela implica em moderação dos indivíduos, busca ser útil e trazer bem-estar a todos e não só a determinados agentes.

O altruísmo não é uma exigência da ética mas o respeito aos outros indivíduos certamente é. É válido ressaltar que tudo aquilo que se faz em sua intimidade, que seja sobre a liberdade individual em relação a si mesmo, ou mesmo uma troca que indivíduos fazem com consentimento entre si, ainda que seja uma discussão moralista – de apelo aos subjetivismos -, não é discussão sobre ética.

Pode-se assim determinar que eticistas são aqueles que respeitam os padrões morais mais abrangentes, quando devidamente justificados de forma objetiva e racional.

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