Falácia do Escocês?

A falácia do escocês consiste em tentar separar indivíduos de um grupo que servem como exemplo para invalidar uma característica atribuída a esse grupo. Esta falácia acontece quando uma das partes faz uma afirmação a respeito de um grupo, a outra parte apresenta um exemplo onde essa afirmação não se aplica e, em seguida, a primeira parte retruca tentando desqualificar o exemplo citado como membro do grupo.

Ex.:

A: “Nenhum homem tem medo de baratas.”

B: “Eu conheço vários amigos que têm medo de baratas.”

A: “Ah, estes certamente não são homens de verdade.”

Aí surge a dúvida, seria a social-democracia uma corrente do socialismo? O femismo faria parte do feminismo? Etc, etc.

Particularmente eu não acho que seja falácia do escocês separar alguns grupos extremistas, quando eles rompem a premissa básica do que determina o movimento, pois se a base que sustenta uma ideologia for rompida não se faz uma nova corrente e sim uma nova ideologia, se são acrescentadas novas ideias – decorrente das divergências – aí continuam sendo a mesma ideologia, se não fosse assim não surgiriam novas ideologias semelhantes as que já existem.

Por exemplo, se mulheres ignoram a premissa básica do feminismo (igualdade de direitos entre gêneros) aceitando a inferioridade ou tentando ser superiores em relação aos homens ou elas são “machistas” (reprodutoras de machismo) ou elas são femistas (neologismo que seria o proporcionalmente equivalente ao machismo), pois feminismo não é o contrário do machismo, já aquelas que tem métodos contundentes de combate ao machismo são de fato feministas (radicais), de fato é difícil ‘separar’ ambas pois habitualmente tem discursos parecidos. Outro exemplo é a social democracia, que apesar de ter vindo do socialismo não é considerada socialismo, pois não faz-se necessário que os meios de produção sejam controlados pelo Estado, não acredita-se na “luta” de classes também, apenas requer-se que seja promovida justiça social – diminuição das desigualdades – pelo estado dentro de um sistema capitalista (rompendo daí as ideias base do socialismo). Assim, apesar de haver semelhanças não são fundamentalmente as mesmas ideologias, mulheres que querem superioridade em relação aos homens (uma minoria irrelevante) não podem ser colocadas como parelhas com as que querer igualdade social e de direitos, nem social-democratas podem ser chamados de socialistas, entre outros.

Pode-se tentar recorrer ao seguinte silogismo:

A: “Nenhuma feminista quer a superioridade das mulheres.”

B: “Eu conheço várias feministas que querem a superioridade das mulheres.”

A: “Ah, estes certamente não são feministas de verdade.”

No entanto, deve-se perceber que a primeira proposição se configura verdadeira visto que o feminismo é de fato um apelo a igualdade e não a superioridade, assim, engana-se as pessoas que pregam a superioridade da mulher que se auto-intitulam feministas, o contra-argumento B é, então, falso pois ignora a premissa que fundamenta tal ideologia.

Conclusivamente, os grupos que divergem no método e lutam pelo mesmo ideal fazem parte do mesmo movimento, mas aqueles que concebem um novo objetivo não tem como serem enquadrados no mesmo movimento, daí que há uma linha tênue entre a falácia do escocês e novas correntes de pensamento, e acontece que enquanto tais ideologias são novas muitas pessoas vão configurar a separação de grupos como falácia do escocês, pois pode não haver uma visão clara sobre os novos grupos.

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