A natureza humana

timoarnall-1200x798
foto por Timo Arnall

Definir se a “natureza” humana (se é que ela existe) é individual ou coletiva é uma tarefa difícil. Pois sobreviver é algo relativo, deve se ver a maneira mais conveniente. Há momentos que sobreviver individualmente é mais fácil, já em outros é mais fácil coletivamente. Sobreviver coletivamente é mais conveniente porque as coisas se tornam mais fáceis quando organizadas, a ordem supera a selvageria.

Afinal a natureza humana é uno ou múltipla? A natureza humana é sobretudo a sobrevivência, e a sobrevivência é ao ser que a vive é em primeiro momento individual, é um instinto natural egoísta. A esmagadora parte dos indivíduos age sobretudo da melhor maneira para si, com exceções daqueles que sacrificam sua vida para salvar a dos outros (que talvez sejam ações que se deliberadas não aconteceriam). Qualquer ser que busca sobreviver, é individualista.

Para além dessa “natureza”, o fator social complexifica o ser. O humano é um animal, mas é um animal que raciocina e vive socialmente, é gregário, e qualquer ser social pode ser agir coletivamente (visando a sobrevivência).

Pode-se concluir que somos, a primeiro nível, individualistas, mas aplicando isso a temáticas sociais seria possível justificar a desigualdade social, a exploração (no sentido pejorativo) e uma gigantesca acumulação (de propriedade privada) diante da capacidade de raciocínio lógico, filosofia, ética? Provavelmente não, pois sociedade envolve vários e não um, um código social deve visar o todo anterior ao uno. Daí que a política, e a ideologia, como instrumento de poder e dominação é de um fracasso intelectual enorme, mas como ferramenta para o bem estar comum não.

O humano por mais que tenha sua natureza individualista pode moldar-se, ser “artificial”, e isso causa uma sobrevivência mais plena, a ideologia sobrepõe-se a natureza bruta e selvagem dos outros animais, condição na qual pode superar (o “primeiro nível”). A sobrevivência em uma sociedade já estabelecida não demanda que você seja individualista pois busca-se daí mais bem estar e não sobrevivência – a não ser em lugares extremamente pobres e escassos em recursos -, apesar de essa ser a lógica do sistema, do poder, da hierarquia. A equivalência do outro a si, por meio da empatia, faz isto ser uma realidade, o não-individualismo. A individualidade deve, em sociedade, ser uma ferramenta de construção coletiva e não usada para fortalecer a visão individualista.

obs.: A perspectiva ética na lógica sempre supera uma perspectiva utilitarista pois não demanda sofrimento de nenhuma das partes, mas como a sociedade é estabelecida sobre desigualdade a ética é utopia uma vez que quem tem poder não o sede de bom grado, para tal que surgem os revolucionários, que por meio da guerra visam criar um equilíbrio.

Anúncios

Concorda, discorda, quer debater? Diga sua opinião.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s