As duas esquerdas

Você já deve ter visto por aí aquele gráfico de coordenadas políticas que classifica você numa escala de liberdade ou autoridade do estado sobre a parte social e também numa escala de liberdade e autoridade do estado sobre o mercado (aqui uma versão do teste e aqui outra). Pois bem, há uma esquerda revolucionária-autoritária e outra reformista-libertária mas as duas se propõe a diminuição da desigualdade social. Minha timeline tem muitas pessoas que se auto-denominam esquerdistas. Desde as que acreditam que o comunismo vencerá até aqueles preferem paz e amor pra consertar o mundo. Umas odeiam o sistema capitalista e propõe que devemos combatê-lo, já outros acham que ele é ruim mas tem seus pontos positivos e então devemos consertá-lo.

Obs.: Estas definições não são únicas, pois entre estas duas esquerdas há outras segmentações. A dita esquerda está cada vez mais fragmentada, e cada setor se separa ainda mais.

A esquerda autoritária é aquela revolucionária, que propõe a luta de classes, a morte da burguesia, é baseada no materialismo-dialético, admira líderes-guerrilheiros que tomaram o poder a força, é a favor da guerra contra o cruel sistema capitalista e seus defensores. Enquanto a esquerda reformista é liberal, quer a mudança pela educação, conscientização, boicote, emponderamento, na crença que o capitalismo tem seus prós e contras, quer mudanças democráticas, que sabemos, são lentas.

Enquanto uma acredita no controle estatal para chegarmos a tal a outra acredita na ação individual para a mudança. A esquerda autoritária está apoiada no socialismo enquanto a esquerda liberal está mais para a social-democracia. Apesar de ambas esquerdas buscarem os mesmos fins por terem meios diferentes para atingi-lo elas tem se estranhado. Isso acontece em qualquer movimento social, no movimento negro, no movimento feminista, no movimento vegano, as correntes diferentes de atuação acabam se esbarrando e discutindo. Basta estar nas redes sociais para ver pessoas com os mesmos ideais se atacando por divergirem em suas propostas para resolução dos problemas.

Ambas esquerdas tem sua parte teórica interessante, então, como saber qual das esquerdas com suas propostas pode resolver de forma mais efetiva os problemas do mundo? Particularmente, eu não sei, mas como todo indivíduo, tenho minhas apostas.

Claro, nem tudo são flores. Ambas esquerdas além dos ideais e a boa intenção em comum compartilham problemas em comum como por exemplo a negação da ciência. Quando são apontados fatos que não corroboram com suas teorias e suas soluções eles tendem a ignorar. Encontramos na esquerda liberal um fenômeno que prejudica ainda mais a seriedade das coisas, o movimento pós-moderno que traz consigo o relativismo, conceitos falaciosos, entre coisas bizarras como a astrologia e a fé misturada as ações políticas.

Apesar da esquerda socialista-revolucionária já ter mudado muito o mundo, agora eles perderam força. Os revolucionários não tem feito revolução alguma, estão atendo a militancia ao discurso, salve exceções. Eles dizem, não subestime o povo. Vimos no que deu quando o gigante acordou para cobrar que não subissem o preço da passagem e agora estamos muito piores chorando as pitangas no facebook. O povo é bobo sim e só vai agir em caso de guerra ou de falência generalizada, quando a situação apertar mais que as calças de cantor sertanejo, mas isto não quer dizer que as pessoas devam deixar de lutar por um mundo melhor.

Eu acredito que tem gente séria, que entende e que leva a sério as ideias da corrente que fazem parte, que tem poder de fazer auto-crítica, de mudar de ideia quando estão erradas, mas não são todos. Há gente que segue estas ideias sem uma visão crítica, simplesmente o fazem por querer fazer parte de um grupo, por querer dizer que faz parte de alguma mudança, por querer dizer-se intelectual, mas que no fundo não entende bem as ideias. Alguém “sério” na esquerda não é só quem idealiza uma revolução, sempre é necessário ir além do discurso, fazer mudanças práticas, fazer trabalho de base, pressionar as grandes empresam, organizar e ir a protestos para fazer pressão em políticos, entrar na política para no meio do sistema político mudar alguma coisa, bater de frente e não deixar tudo a mercê dos conservadores. Ambas correntes tem que fazer estas coisas, não basta só acreditar e fazer posts no facebook para o mundo mudar. Falar de revolução ou lacrar só não basta.

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