Feijoada é feijoada, moqueca é moqueca, sofrimento é sofrimento, status quo é status quo

Saiu no site da revista Carta Capital um texto do jornalista e escritor Alberto Villas. Logo no subtítulo ele afirma:

“Mania de chamar de prato o que não é o prato.”

Ele admite que implica com termos e com a comida vegetariana.  Será que ele sabe que a linguagem muda com o tempo? Ou deveria chamá-lo de vosmecê? Será que ela acha errado a gente apelidar coisas também? Deveria ser proibido chamar produtos pelos nomes de suas marcas também? São tantas questões que vêm a cabeça sobre linguagem que não caberia num só texto.

“No meu tempo não era assim”.

Típica frase do conservador que não se adapta aos novos comportamentos que não fazem mal a ninguém.

Churrasco de frutas é de dar nó na garganta, não é mesmo? Não como carne há anos e também não sou chegado, mas cada um cada um, se quer comer algo que não foi assassinado do jeito que for, vá em frente. Bom, ao menos ele nos alerta que está cagando regra, mas justifica, ele é do tempo que não existia trocas de ingredientes. Será que ele vive no século XXI? No tempo dele não tentavam evitar o sofrimento dos animais, eu entendo, e pessoalmente eu prefiro dizer que prefiro tempos em que a humanidade não precisaria mais explorar indivíduos que sofrem, isto está para frente da linha do tempo e não para trás.

“Estão inventando moda demais.”

Mal sabe ele que veganismo não é moda, modas passam e o veganismo só cresce. O da Bela Gil pode ser, mas o de gente que respeita os animais não. Ele é um apelo a liberdade. E se fosse moda ser contra o sofrimento alheio ia ser bem bom. Ah, se todo mundo achasse maneiro respeitar os outros (animais são outros, ou vai dizer que seu cachorro ou gato é igualzinho a outros bichos? E não são só eles), ia ser a melhor moda do mundo, melhor ainda se deixasse de ser moda e virasse o comportamento padrão.

Feijoada é feijoada. Moqueca é moqueca, e cada um faz como quiser, não precisa por bicho no meio pra poder chamar assim. Definições a gente sabe que servem, e se ele não quer chamar assim tudo bem, tem a liberdade de expressão. Mas uma coisa é fato, status quo é status quo e sofrimento é sofrimento. Animais sofrem e quem colabora com que isso aconteça apela ao status quo. Coloca o paladar acima de tudo, pois ignora que a pecuária além de matar massivamente está colaborando bastante na destruição do planeta. Se bem que é normal isso. É bem fácil criticar quando está na condição padrão, quando o status quo prevalece. Será que ele tá pensando o que, que comer carne numa sociedade onde não precisamos mais disso é progressista? Ou numa reviravolta aquele texto é uma crítica direcionada à quem come carne?

Há quem prefira “pratos Frankestein” à uma moralidade frankestein, que só luta contra o sofrimento por aquilo que convém. Gary L. Francione, filósofo que aborda os Direitos Animais, chama isso de moralidade esquizofrênica.

O conservador tem uma poltrona acolchoada e fica atirando pedras em quem tá tentando mudar o mundo pra melhor. E isto é engraçado. Duvivier, que nem é jornalista, fez um texto bem melhor que este: Não quer ajudar, não atrapalha

 

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