Por que não votarei nem em Bolsonaro, nem em Haddad

Depois de analisar as propostas dos candidatos e a política que vivemos, resolvi meu voto. Em poucas palavras posso dizer que não votarei em Bolsonaro, nem em Haddad porque ambos alimentarão a extrema bipolarização na política. Sou favorável à quem mantém um discurso democrático, que não cede aos extremos, afinal, não se combate uma polarização com outra polarização. Além disso, pensar na questão ambiental é algo importantíssimo para o século em que estamos, e é por isso que meu voto será em Marina Silva da Rede Sustentabilidade, seu discurso – e de seu vice Eduardo Jorge – é ponderado e seu projeto para o país é coerente.

Abaixo copiarei algumas análises que compactuo das opiniões expressas e que justificam de forma mais elaborada o não voto em Bolsonaro, nem em Haddad e sim na Marina Silva:

Guilherme Del Sasso (original)

Por que não voto no Haddad

Primeiro, porque o objetivo principal do PT nas eleições foi sempre manter sua hegemonia na esquerda, e não pensar um projeto interessante e viável ou formas de barrar o fascismo. Nesse sentido, foi extremamente irresponsável a insistência em Lula como candidato (enganando a população) e sobretudo a estratégia de isolar Ciro, neutralizando o PSB e fortalecendo um lulista no PSOL. Quem está realmente preocupado em barrar Bolsonaro já sabia há muitos meses que Lula não seria candidato e que as opções mais viáveis contra o fascista eram Ciro e Marina Silva. A prioridade sempre foi Lula, depois o partido e por último o país.

Segundo, porque a (falsa) polarização atingiu níveis intoleráveis, e ameaça cada vez mais se concretizar em violência física. Falo em falsa polarização porque não expressa os antagonismos de fundo da sociedade brasileira, como querem nos fazer pensar quando dizem que a polarização representa a “luta de classes”. Tanto o PT como qualquer centro-direita vai colocar um liberal na fazenda (Dilma com Levy, Lula com Meirelles, Haddad possivelmente com Lisboa), fechar com o agronegócio, etc. No entanto, a radicalização retórica aniquilou qualquer campo democrático de diálogo e sobretudo de capacidade de expressão de forças não alinhadas. Um segundo turno entre Haddad e Bolsonaro tornará a esquerda inteira mais cooptada do que nunca, sendo impossibilitada radicalmente de criticar um eventual governo petista, ao passo que a paranoia anticomunista deverá explodir de vez.

Terceiro, pela relação que a esquerda criou com o governo Dilma. Após o impeachment, incorporou-se o espírito combativo contra o retrocesso de Temer. Ok. Mas nunca se discutiu criticamente o governo e o legado de Dilma, que basicamente foi endividamento público, recessão, desemprego, concentração de renda e retrocesso socioambiental. O próprio Haddad acho que reconhece em boa medida isso, tendendo a ser responsável fiscalmente. No entanto seu conselheiro econômico, Marcio Pochman, insiste que as políticas econômicas de Dilma foram acertadas e que o caos todo começou com Temer. Dessa forma, existe o que o Haddad pensa, e que nós não sabemos ao certo, e existe o que o PT pensa e fala, e não sei o quanto são a mesma coisa. Eu votei na Dilma no segundo turno em 2014, e a última coisa que cogito é dar um cheque em branco de novo sob a chantagem do “menos pior”. O imperativo de defender a Dilma no impeachment impede até hoje que a esquerda realize um balanço sério e elabore alternativas àquele projeto que fracassou de forma retumbante.

Em quarto lugar, as alianças do partido hoje apontam que de fato o PT utilizou uma retórica de vítima do golpe para disciplinar a esquerda em torno de seu projeto em vez de se comportar como quem de fato sofreu um golpe. As alianças com os “golpistas” seguem naturalmente país afora, como se estivéssemos em 2014. Isso naturalmente reproduz o sistema político tal qual conhecemos e enfraquece as candidaturas de esquerda, renovando todas condições de possibilidade das crises que nos trouxeram ao abismo: radicalidade retórica e conciliação conservadora de fundo. Então não adianta choramingar e dizer “aff o PT não aprende”. O PT está fazendo aquilo que julga necessário para reproduzir sua hegemonia à esquerda e seu lugar no interior do sistema político brasileiro, incluindo a aliança programática com o MDB. Quem não aprende é quem acha que o PT não aprende.

Em suma, simpatizo pessoalmente com o Haddad, mas o projeto do PT é insistir numa radicalização retórica que está nos levando a níveis delirantes e apostar na pacificação por cima e conciliação de fundo do sistema político. Como disse de certa maneira o Silvio Pedrosa, Haddad pode até vencer Bolsonaro no segundo turno, mas renova e alimenta mais que ninguém as condições de possibilidade do bolsonarismo.

Bruno Frederico Müller (original)

MINHA DECLARAÇÃO DE VOTO NAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 2018:

1. O impeachment foi uma desgraça. Catapultou um fascista e deu sobrevida a uma organização criminosa (PT). Duvido que estivéssemos contemplando esse cenário sombrio se se tivesse deixado o governo Dilma sangrar até o fim. Reafirmo o que sempre digo e a experiência e os estudos me mostram: a economia influencia a política, mas a política precede a economia.

2. O segundo turno Bolsonaro x Poste do Lula é o pior cenário possível. É garantia de NO MÍNIMO mais quatro anos de crise, de polarização ideológica e intolerância política. Como já estamos numa situação limítrofe, dos ataques verbais e emoções afloradas para a violência política é um pulo. Não descarto também o risco de golpe de Estado, que o vice de Bolsonaro já defendeu em mais de uma ocasião, e até mesmo guerra civil.

3. Mesmo que o Poste Haddad vença as eleições e faça como o Poste Dilma, desdiga tudo que prometeu e faça um governo mais responsável na economia e conciliador na política, não teremos garantia de estabilidade institucional. O antipetismo vai crescer junto com o fascismo. Ao insuflar a militância num sentido e caminhar noutro, estratégia usada pelo PT também em 2014 e em quase todos os momentos de crise que enfrentou desde que chegou ao poder, este partido mostra sua face autoritária, seu oportunismo e também dificulta muito o trabalho de conciliação que uma democracia madura exige para funcionar normalmente. A militância não aceita a guinada, a oposição segue polarizada. É uma estratégia que só serve para manter este partido nos holofotes.

4. Nos últimos dias analisei com mais cuidado a candidatura de Ciro Gomes e cheguei às seguintes conclusões:
4.1. Não tenho dúvidas de que, para a preservação da democracia, ele é uma alternativa. É um homem articulado e articulador, uma velha raposa política. Mas isso também é um defeito: uma grande parte dos brasileiros está cansada de raposas políticas, não só os eleitores de Bolsonaro, mas outros que prezam a democracia e, à direita ou à esquerda, rejeitam este candidato, mas também o PT.
4.2. No plano econômico, porém, seu programa é um desastre. Escondido em um discurso que transmite confiança e conhecimento, Ciro cita números falsos, manipula as evidências e defende um programa nacional-desenvolvimentista que foi tentado três vezes ao longo da nossa história, sempre com os mesmos resultados: estagnação econômica, inflação e crise institucional. Foi assim com Juscelino Kubitscheck, Ernesto Geisel e Dilma Rousseff. Se num primeiro momento Ciro pode (talvez) estabilizar o país, politicamente, a longo prazo sua política econômica deverá seguir minando essa estabilidade e dando sobrevida à direita radical. Ruptura institucional nesse momento, meus amigos de esquerda, não se iludam, virá por meio dessa turma. Nenhuma chance de termos um crescimento de uma esquerda alternativa ao PT, nesse cenário.
4.3. Para piorar a situação, a vice de Ciro Gomes é Kátia Abreu, ruralista, representante do pior que há no agronegócio: defende o desmatamento e os agrotóxicos, é conivente com o trabalho escravo que subsiste no campo (e do qual um de seus filhos foi acusado). É uma das piores políticas do Brasil. E nas últimas três décadas desde a redemocratização, o vice-presidente assumiu o poder três vezes. Além do fato de, mesmo sem exercer o poder de fato, o vice-presidente é influente nos bastidores. Não podemos nem precisamos correr esse risco.

5. O momento de criarmos essa esquerda alternativa ao PT é AGORA. E Ciro não é essa alternativa, ele é político das antigas, também tem seus arroubos autoritários e reza por uma cartilha econômica antiquada e ambientalmente destrutiva.

6. A alternativa é Marina Silva. Ela foi muito, MUITO difamada pela esquerda petista, chamada de neoliberal apenas por entender que as políticas sociais precisam vir lastreadas por uma política econômica sólida que não quebre o país no longo prazo. Boa gestão econômica é questão de sensatez, não de ideologia.

7. Marina Silva também é uma mulher de diálogo, que preza a democracia e os direitos humanos. Essa é a face da esquerda que eu quero para o século XXI. Em contraste com os demais candidatos, Marina ostenta um candidato a vice-presidente que é também preparado, democrata, moderno, articulador, que conseguiu aprovar leis importantes para o país, como a que criou o Sistema Único de Saúde e os medicamentos genéricos: Eduardo Jorge. De longe, a melhor chapa.

8. Sim, Marina é de esquerda moderada, mas ela reúne atributos que podem ajudar a aliviar a pressão e talvez dissipar a grave crise política e institucional em que estamos. Nenhum outro candidato possui esse perfil:
8.1. Além dos já citados, Geraldo Alckmin é ainda mais velha política que Ciro Gomes, e um governo seu certamente manterá o fisiologismo e a corrupção que seguem alimentando a extrema-direita. Isso para não falar nos recorrentes boatos sobre sua ligação com o crime organizado. Marina, por outro lado, além de um currículo sem manchas, já se comprometeu com o combate à corrupção.
8.2. Henrique Meirelles é um tecnocrata, um economista sem traquejo político e vindo do MDB, o partido que manda na Nova República e concentra a maioria dos caciques que mandam no país e o fazem de modo sujo. Ele será um refém dessa quadrilha. Pode ser um bom gestor, mas assim como a política antecede a economia, a administração de um país difere (embora não prescinda) da administração de uma empresa, e requer uma pessoa politicamente habilidosa. Isso, o Poste Dilma Rousseff também nos comprovou.
8.3. Votos residuais em João Amoêdo, outro tecnocrata e ultraliberal, que esconde também no seu discurso um viés bastante antidemocrático, e em Guilherme Boulos, populista da velha esquerda, com o mesmo típico perfil autoritário e economicamente irresponsável, por favor reflitam. Ainda bem que seus candidatos são eleitoralmente inviáveis.
8.4. Diante de todas essas opções, eu tenho certeza que, dos eleitores desses outros candidatos, quem refletir um pouco e sem preconceito, vai entender que Marina, embora não seja seu candidato dos sonhos, nem preferencial, é a candidata com o melhor currículo para fazer o país sobreviver à turbulência. Ela tem a responsabilidade fiscal que os liberais exigem, a sensibilidade social que a esquerda busca, e a capacidade de dialogar com os dois lados que o país precisa.

9. Marina também não é minha candidata dos sonhos. Sua campanha patina pelos próprios erros, e o principal deles é o discurso identitário que eu desprezo. Mas faço aqui alguns cálculos estratégicos:
9.1. Justamente por ser uma candidata do diálogo, acredito na capacidade de avançar a discussão e o definitivo enterro do identitarismo nos próximos anos. Ele já está na descendente, de qualquer forma.
9.2. Marina já se declarou candidata de transição que não buscará a reeleição. Teremos quatro anos, então, para construir no país um discurso alternativo, que atualmente não existe, para contrapor ao identitarismo. Nesse sentido, a candidatura Bolsonaro é meramente reativa.
9.3. A hegemonia identitária não cairá da noite para o dia. Nesse momento, a prioridade é preservar as instituições democráticas.

10. As eleições estão criando um efeito manada e isolando nas pesquisas os três piores candidatos. É hora daqueles que acreditam que é possível preservar e aprofundar a democracia reagirem e não esmorecerem.

Por todos esses motivos, meu voto no dia 7 de outubro será Marina Silva, 18.

Se você concorda comigo, ajude como puder: contribua com a campanha com doações, compartilhamentos, vídeos, o que estiver ao seu alcance. É o que farei. Essa eleição é decisiva e não podemos desistir sem luta. Não ceda ao voto útil, temos ainda mais de 20 dias para mudar esse jogo.

Vitor Douglas (original)

JUSTIFICATIVA DE APOIO A MARINA

Vinha dando apoio incondicional ao PT desde 2014, nesse período ajudei na candidatura da presidente Dilma, fui contra seu impeachment, compus a base de apoio no congresso nacional em meu mandato como deputado federal jovem, estive com o movimento estudantil em muitas manifestações.. etc. Tinha muitas convicções que as ideologias propostas eram as melhores para o país.

De fato, é inegável não reconhecer o avanço nos governos do PT em relação a educação, infraestrutura, programas sociais, entre outras áreas. O problema é que desde de 2007 vem ocorrendo muitos erros, principalmente em relação as propostas para saída da crise internacional. A nova maneira do segundo Lula e os dois governos da Dilma impuseram para administração econômica tem se mostrado um equívoco, o ápice disso foi a grande irresponsabilidade com os gastos públicos que agora tem como resultado nosso deficit primário de 159 bilhões.

O governo aprendeu com os erros? Infelizmente não. Ao invés de se fazer a autocrítica e criar peito para realizar medidas impopulares para balancear as contas, preferiram optar por uma narrativa conspiratória de uma batalha do bem contra o mal, onde eles são os mocinhos que querem fazer tudo de bom para o povo, mas estão sendo impedidos por um grupo obscuro que quer destruir o país a qualquer custo. Por que fazem isso? Porque da voto, é a mesma tática que o Bolsonaro e outros grupos usam para ter apoio de pessoas mais desinformadas, é mais fácil criar um inimigo exótico e dizer que ele é o culpado pelos seus erros do que assumi-los e ter que tomar medidas custosas para conserta-los.

Qual o resultado disso? Uma divisão política totalmente polarizada onde se age apenas pela emoção, o desejo de destruir o outro e só se valoriza os fatos concretos quando eles são ao seu favor. Nesse jogo de vale tudo, para mim fica insustentável dar qualquer apoio ao PT nesse momento e ao Ciro que tem reforçado essa ideia de forma ainda mais preocupante, com isso decidi direcionar os olhares para candidatos que estejam fora da polarização e mais colados com a realidade.

Dentre os presidenciáveis, a Marina surge como melhor opção para resolver esse problema por diversos motivos. Aqui cito sua capacidade de dialogar que é de longe a melhor entre os candidatos, a composição da chapa com um vice excelente em mediação, a ficha limpa, e principalmente por ser uma das únicas a ter criado um plano de governo sensato e conectado com a realidade. Em especial, sua equipe econômica é muito bem preparada composta por grandes nomes como os doutores Eduardo Giannetti, Ricardo Paes e ainda o diabo loiro (vulgo Marcos Lisboa) correndo por trás. Se eu for citar proposta por proposta, deixaria esse texto maior do que já está, então interessados conversem comigo no privado.

Enfim, creio que a Marina seja a melhor opção para esse momento e terá meu apoio enquanto manter seu caráter e valorizar um estado que ajuda os mais pobres, mas também preza pela responsabilidade fiscal.

Josikwylkson Costa Brito

Motivos para votar em Marina Silva

Marina tem ao seu lado grandes economistas, incluindo um dos criadores do bolsa família e um dos maiores nomes da economia da educação no país;

Tem como vice um dos deputados que mais contribuiu dentro da câmera (formado em Medicina Preventiva, criou o projeto de lei dos Genéricos, participou da criação do SUS, autor da lei de regulamentação de laqueaduras e vasectomias, implantou o serviço de atendimento a abortos ilegais) e é um dos maiores símbolos da luta pela Saúde Pública no país. Já deixou claro que essa questão não será secundária, e sim prioritária, e de forma bastante programática (basta ver a entrevista dele no GloboNews). Isto é, se quer que o SUS vá para a frente, VOTE MARINA;

Preza pela conservação do meio-ambiente e pelo desenvolvimento sustentável (mente muito mais futurista do que o pessoal sub-desenvolvido);

Acredita em competência pessoal independentemente de questão partidária;

Resolução do problema da evasão dos alunos das universidade, especialmente, aqueles que estudam com o FIES mas que no meio do curso, deixam de pagar por falta de condições;

Instalação de 1,5 milhão de placas solares em comunidades carentes e sem custo para os beneficiários, com excedente de energia utilizado para renda auxiliar;

Universalização do acesso público à banda larga, tornando a conexão à internet em serviço essencial no país, como eletricidade e água;

Ampliação da cobertura de oferta de creches para crianças de 0 a 3 anos por todo o país de 30 para 50%; – Única candidata verdadeiramente comprometida com o desenvolvimento sustentável e conectada aos desafios deste século. A única capaz de repactuar as nossas bases e nos oferecer um momento de trégua;

Reorganização da carga tributária sem necessariamente aumentá-la;

Fim do imposto sindical;

Aumentar a participação da união no orçamento do SUS;

Prevenção e atendimento à gravidez na adolescência;

Tratamentos e serviços de saúde integral adequados às mulheres e à população LGBTQ+;

Garantia dos direitos reprodutivos e sexuais das mulheres, envolvendo ações preventivas e a efetividade do Programa de Planejamento Reprodutivo e Planejamento Familiar;

Criação de agendamento de consultas por meio eletrônico;

Criação de base única de dados do paciente e prontuário eletrônico;

Aprimoramento das políticas de saúde mental;

Aumento da oferta de médicos nos municípios, com políticas de estimulo à fixação de profissionais em localidades remotas;

Fim do foro privilegiado;

Ficha Limpa para todos os cargos públicos;

Criminalização do caixa dois eleitoral;

Criminalização do enriquecimento ilícito;

Fim da indicação política para órgãos de controle (Tribunal de Contas da União e Controladoria Geral da União)

Helena Baccega

Marina de longe é a melhor em questão de democracia. Além disso, o governo do PT não vai ser um governo respeitado por metade dos governados, poderá sofrer tentativa de golpe, daqui 4 anos só vai ter crescido o ódio pela esquerda e vamos passar por um perrengue maior vindo da direita. Marina entende que para progredir democraticamente precisa ter a capacidade de governar sem gerar ódio. Ela tem ideais de estado de esquerda e de liberdade individual. Sempre defendeu que numa democracia o estado é laico. Já foi indicada ao Nobel da Paz, eleita pelo The Guardian uma das 50 pessoas que podem salvar o mundo. Ela tem uma política moderna, sustentável, de baixo carbono. Perfeita pra um governo de transição. Sem falar do vice, Eduardo Jorge que fala abertamente sobre abolição animal. Marina tem um plano de energia solar a nível nacional para acabar com conta de luz e proporcionar às famílias pobres que vendam a energia excedente ao governo para obterem renda extra.

Cesar Benjamin (original)

A conjuntura política mudou completamente. O grande fato novo é um movimento de massas (e de opinião) ascendente alinhado com a extrema direita, coisa que ainda não tínhamos.

Há um golpe de Estado em curso, que será consumado se não conseguirmos dar uma virada no cenário político brasileiro. Isso não é figura de retórica. A proposta de Bolsonaro, de um governo repressivo na política e nos costumes e ultraliberal na economia, não é compatível com as instituições da democracia. Pinochet fez exatamente isso, dando o golpe antes. Aqui, a eventual eleição de Bolsonaro é um estágio do processo golpista, que se desdobrará rapidamente para estágios mais avançados.

O PT banalizou a palavra golpe ao se referir ao impedimento de Dilma Rousseff. Não é disso que estou falando. Há cerca de um ano, quando Michel Temer entregou ao Exército o comando da segurança pública no Rio de Janeiro, escrevi aqui: “O gênio saiu da garrafa e não voltará mais. Adiante teremos saudades do conflito entre coxinhas e mortadelas.”

Vejam o vídeo dessa manifestação pró-Bolsonaro na praia de Copacabana no domingo. Esses caras não são coxinhas passeando languidamente com suas famílias e suas babás, vestindo camisas da seleção brasileira de futebol. São lúnpens organizados, prontos para qualquer tipo de ação. Estamos vendo só o começo.

Se Fernando Haddad vencer no segundo turno não governará. O atual impasse político que paralisa o Brasil se agravará até a ruptura. O gênio não voltará à garrafa, e a base eleitoral do PT — dispersa e desmobilizada — se retrairá rapidamente. A esquerda mais jovem aprenderá finalmente — e tragicamente — o que é um golpe.

A candidatura de Ciro Gomes é a única que ainda pode deter essa marcha da insensatez, embaralhando as cartas, promovendo um rearranjo de alianças e enfraquecendo a polarização atual, que nos levará à ruína.

Fica aqui o meu apelo.

Idelber Avelar (original)

Nos dias 19 e 21 de setembro, publiquei aqui posts que aludiam a duas das três mentiras essenciais que alimentam a campanha de Haddad à Presidência. Os catastróficos números da pesquisa Ibope de ontem me oferecem um bom mote para falar da terceira.

As duas primeiras falácias de que tratei eram 1) “Haddad é Lula”, uma mentira claríssima, já que basta observar as coisas um pouco para saber que Haddad não é Lula, Haddad é Dilma. Lulistas vieram aqui tentar me corrigir, explicando que Haddad é diferente de Dilma — desentendendo, portanto, o post, que não era sobre uma parecença semântica, mas sobre um paralelismo sintático. Ou seja, não importa que Haddad seja uma pessoa completamente diferente de Dilma. Ele está no mesmo lugar que ela e mantém com o cacique a mesma relação daquele que lhe deve tudo. Com Lula é que ele não tem nada a ver mesmo, a não ser a relação que o bonequeiro tem com a sua marionete.

A segunda falácia era a tão repetida cantilena de que não se pode falar de polarização provocada pelo petismo e pelo bolsonarismo porque apenas este último é extremista. Esse argumento, repetido ad nauseam nas redes e na imprensa, confunde polos com extremos (um polo não é necessariamente um extremo) e absolve o petismo da sua responsabilidade na produção dos monstros com os quais ele sempre preferiu disputar o segundo turno.

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Vamos à terceira falácia, que é aquela com a qual o petismo responde às críticas de sua tremenda irresponsabilidade ao longo desse processo eleitoral. A resposta normalmente vem assim: “vocês querem tirar o direito de o PT lançar um candidato? O que vocês queriam que o maior partido brasileiro em preferência eleitoral fizesse? Cruzasse os braços e não participasse da eleição? O PT tem o direito de lançar candidato!”

Esta última frase, obviamente, é um truísmo, ela não diz nada. Qualquer partido tem o direito de lançar candidato. E observadores, analistas, cidadãos têm o direito de apontar as motivações que movem a candidatura. No caso da candidatura Haddad, trata-se de um sórdido hegemonismo que não tem pudores de levar o Brasil para dançar à beira do abismo e possivelmente entregá-lo a um presidente fascista.

Vamos nos ater aos últimos dias. Só nos últimos três dias, o petismo e a candidatura Haddad:

a) reafirmaram, em pleno 2018, o apoio ao regime de Maduro, responsável por uma das piores crises humanitárias da história da América Latina e por incontáveis execuções e câmaras de tortura.

b) propuseram, através de seu candidato, uma Assembleia Constituinte, coisa de arrepiar qualquer pessoa com um mínimo de bom senso hoje no Brasil.

c) defenderam, através de um de seus chefes históricos, José Dirceu, a limitação das responsabilidades do STF e do MP.

d) falaram, através do mesmo chefe histórico, de “tomar o poder, o que é diferente de ganhar eleições”.

e) omitiram de sua campanha, sistematicamente, quaisquer críticas ao candidato fascista, porque é com ele que querem disputar o segundo turno.

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A estratégia é clara: fortalecer ao máximo o candidato fascista; impedir a consolidação de qualquer terceira alternativa; trabalhar incessantemente por uma polarização na qual eles possam aparecer como os salvadores da pátria ante o fascismo; assustar e bravatear para depois colher os frutos.

Ao mesmo tempo em que faz isso, o petismo continua se vitimizando e esperando que todos assumam as suas dores, enquanto eles não assumem as dores de ninguém. O tão elogiado gênio da política, Lula, nos entregou este quadro, em que a única esperança que nos resta para barrar o fascismo nas eleições é um político até decente, mas que não conseguiu se reeleger prefeito de sua cidade; não conseguiu sequer ir ao segundo turno; perdeu para nulos e brancos; perdeu em todas as urnas; e, francamente, parece saído de uma defesa de tese de sociologia da USP.

Tudo isso para que o petismo tente continuar como força hegemônica, sabendo muito bem que seu maior líder é odiado por 50% da população. Certas Pollyanas do petismo estão assustadas e duvidando do Ibope porque a rejeição de Haddad subiu 11 pontos. Queridos, há duas semanas ele subiu bem mais de 11 pontos quando muita gente descobriu que ele era o candidato de Lula. Agora, muitas outras gentes estão descobrindo também que ele é o candidato de Lula e a rejeição está disparando. Vocês esperavam o quê?

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Podem apostar que caso se consume a catástrofe que até recentemente era tão improvável, o lulismo e o petismo vão culpar os isentões, a Marina, os tucanos, o Ciro, o golpe, a mídia e as pesquisas do Pablo Ortellado. Só não vão se lembrar de que a possibilidade de que suas ações estavam produzindo a catástrofe foi apontada muitas vezes, e para isso a única resposta que tinham era “nós temos o direito de lançar candidato”.

Eduardo Jorge (original)

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