A ciência, a história e a ética não devem ser relativizadas

A maior valoração da subjetividade na formação do conhecimento tem surtido em um ataque à academia e aos métodos objetivos de pesquisa, o que tem sofrido com isso é a história, a ciência e a filosofia moral.

A assimilação pós-moderna da historiografia, da ciência e da filosofia tem dado aos movimentos identitários o poder de escrever narrativas distorcidas, e isto é, de certa forma, perigoso. A identidade de um povo não pode manipular os fatos, descontextualiza-los, usar-se de anacronismo e colocar as vontades e as memórias acima dos fatos. É possível ver as pessoas ignorando conceitos bem definidos historicamente, para justificar seus pontos de vista, cometendo revisionismo histórico, ignorando princípios filosóficos, atacando o intelectualismo como instrumento de poder, e utilizando-se da ciência fazendo cherry picking e ignorando consensos de especialistas.

Isto vem acontecendo tanto nos movimentos definidos à esquerda política quanto nos definidos à direita. Alguns exemplos: a direita ignora que o desenvolvimentismo têm destruído o meio ambiente e nega o aquecimento global. Também na ciência alguns conservadores têm se utilizado de estudos científicos que mostram a diferença natural entre os gêneros para tirar conclusões morais, e fazer manutenção de sistemas de desigualdade, que não se justificam logicamente e eticamente. Por fim, algumas pessoas de direita negam o holocausto. Já a esquerda estipula novos conceitos de agrupamento deslegitimando o conhecimento objetivo, e acusando métodos de obtenção de conhecimento como ferramentas de poder. Na política nega mazelas provindas de ditaduras à esquerda. Cientificamente deturpam conceitos e chegam a negar as diferenças biológicas, categorizando milhares de comportamentos sexuais que são mais simples que sugerem e afirmando que a sexualidade é uma performance identitária e de dominação e não um fato natural.

Apesar das grandes áreas, e seus consensos, serem a construção de pequenos estudos somados, não podemos pensar que deve-se abandonar os métodos rigorosos nessa escala micro. O movimento pós-construtivista, constrói narrativas pessoais e com fins políticos ignorando a materialidade. Apesar da crença pessoa sempre ter tido grande espaço na sociedade, sobrepondo-se muitas vezes àquilo que é real, determinando assim legislações e movimentos sociais-políticos – como é o caso da religião ou das pseudociências -, ela tem tentado agora definir os fatos por representatividade e votação e não mais por análise metódica, o que, se chegar à academia, poderá fazer um estrago ainda maior do que o que as crenças irracionais já nos trouxeram até hoje, pois se somará à elas.

Assim como a escolha individual não deve se sobrepor ao coletivo, com risco de ser éticamente falho, a subjetivismo não pode ser determinante para determinar aquilo que é verdade, a verdade está além daquilo que queremos que ela seja, e a melhor forma de construirmos ela é com a rigidez dos métodos objetivistas. Os filósofos, os cientistas e os historiadores são investigadores dos fatos e da realidade, e portanto, devem opor-se aos mitos, e aqueles que levam o conhecimento a sério – e estas áreas do conhecimento -, devem também opor-se às narrativas ideólogas sem base na realidade material.

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