Minha jornada pelos animais

10 anos sem carne, 3 anos de veganismo, 2 anos de ativismo

Me lembro a primeira vez que estranhei o consumo de animais. Ocorreu em uma viagem com meu pai e meu irmão à Jales, cidade no interior de São Paulo, numa confraternização familiar. Lá estavamos reunidos quando resolveram fazer churrasco com um dos animais da fazenda, um carneiro.

Escolheram um filhote, o pegaram e o amarraram com uma corda em uma árvore. Me chamaram, eu ainda criança, estava com menos de 10 anos, segurei a perna do animal de um lado, meu irmão, com dois anos a mais, segurou a outra pata para que assim o animal não se debatesse. Um dos moradores veio e cortou o pescoço do animal que sangrou até a morte, método que eu já tinha visto sendo feito com galinhas nas fazendas dos meus tios em Minas Gerais.

Ainda tenho a lembrança de um momento vivo na mente, desde que o animal foi pego sua mãe não parava de chamá-lo, e ele, de lá pendurado, balia de volta, com medo, pedindo um resgate, ia ser morto. Mesmo assim, apesar de observar a cena com pena, acabei comendo a carne do animal que ajudei a matar.

Como eu disse, já vi galinhas sendo degoladas vivas, já ouvi porcos berrando desesperados por suas vidas antes de serem abatidos, algo que é um dos piores sons que se pode ouvir, e já os vi cadáveres de animais inteiros nas mesas em comemorações familiares, apesar de cenas para se ficar assustado e de luto, que dariam um bom cenário para filmes de terror, são cenas comuns, afinal nossa sociedade pensa que os animais são feitos para nos servir e confraterniza com a morte deles, na verdade de alguns deles, culturalmente vistos como comida.

A primeira vez que deixei de comer carne, fazendo uma conexão com o animal, veio depois, mas ainda criança. Num dia voltando de uma viagem para Minas Gerais, à noite, na escuridão da Rodovia Dutra, meu pai vinha dirigindo numa velocidade considerável pela via de acesso quando de repente um cachorro pequeno apareceu, ele freou bruscamente mas o para-choque acabou batendo no animal que teve o pescoço quebrado e morreu na hora.

Neste dia meu pai ficou emotivo, chorou calado, mas antes de chegar em casa passamos em uma padaria no centro, lá ele pediu uma porção de frango frito. Me lembro de ter feito uma conexão, pensei “ele acabou de matar um animal, está triste e vai comer outro animal?”. Acabei não aceitando comer. Mas o episódio também ficou só nisso, no dia seguinte voltei a comer carne normalmente, sem muitos questionamentos.

O ovolactovegetarianismo

Aos 17 anos entrei na faculdade, era tempo de Orkut e MSN. Em uma conversa corriqueira, pelo mensageiro falava com uma amiga, Tatis Ortolan, e ela me contou que era vegetariana. Eu não sabia o que era aquilo, ela me explicou por cima, disse que não comia carne, mas acabei pesquisando mais sobre na internet. Lembro de ter lido alguns textos que falavam de vegetarianismo e exploração animal no site veganpride, que anos depois acabei descobrindo que tinha uma loja física na famosa Galeria do Rock em São Paulo, e também no site Vista-se.

Ao contrário da maioria das pessoas que procuram desculpas para continuar consumindo carne, eu resolvi não comer mais animais em questão de uma semana depois daquela conversa e de um pouco de leitura. Era uma questão de justiça bem simples, ora, se poderia viver sem comer carne, fazer isso era algo ruim, já que os animais sofrem e precisam ser mortos. Então, com 18 anos, em agosto de 2009, resolvi deixar de consumir pedaços de animais mortos, me tornando ovolactovegetariano.

No começo senti um pouco de fraqueza, por volta de 3 meses, isso era porque eu não sabia o que comer, deixei de comer carne por ética, mas errei quando acabei não pesquisando o que poderia comer para suprir minhas necessidades alimentares, o que não mudou nada para mim, era um preço a se pagar, a vida dos animais não me pertenciam. Durante um ano comi arroz, feijão, ovo, salada de alface, tomate e muito queijo, até descobrir sojas e afins para melhorar um pouco minha alimentação.

O quase veganismo

Interessado em justificar melhor e por à prova minhas escolhas, comecei a cada vez mais ler sobre o uso de animais. Por volta de 3 ou 4 anos depois de ter parado de comer carne, comecei a entender, mesmo que vagamente, o que o veganismo dizia. O fato é que se alguém come carne mas investe em leite ou ovos está também financiando a morte de animais. Os processos que ocorrem na indústria da carne são ligados: as fazendas com animais buscam sempre o lucro, então se você consome ovo eles vão matar pintinhos machos pois não é lucrativo criá-los, se você consome leite eles vão matar os bezerros – ou bois – machos para fazer carne, e além disso, quando as vacas deixam de produzir leite elas são descartadas e mortas para se tornar carne. Indo além, os animais nas indústrias são confinados e vivem para servir, é uma espécie de expropriação do trabalho, o que, em ambos os casos, tende a ser algo ruim para eles.

Mesmo tendo informações sobre isso, de alguma maneira eu ignorava este sofrimento acreditando que tudo era como nas fazendas familiares dos meus tios, onde as vacas são criadas em pequena escala, elas não apanham, são chamadas pelo nome e eles tem ainda recebem algum tipo de afeição. Eu procrastinei enquanto dizia para mim mesmo “As vacas não estão morrendo, elas são bem tratadas e fornecem leite em troca” ou pensava o mesmo com as galinhas na questão dos ovos, mas essa ilusão não persiste por muito tempo, a verdade frente à indústria é cruel, os animais não vivem num paraíso. Claro que entre toda à exploração há diferentes níveis de crueldade, e quanto mais industrial se torna a exploração a tendência é que os animais vivam pior (mais confinamento, vidas mais curtas).

Hoje sei que, independente da escala de exploração, os animais são objetificados, vistos como produtos, usados e vão ser mortos da mesma maneira. Então a realidade não é sobre a maneira que contamos ela, a realidade é ela por si mesma, e a realidade é que não há nobreza alguma em tratar os animais minimamente bem e consumi-los, podemos evitar o máximo que conseguirmos de todas as formas e níveis de exploração, afinal isso não é fundamental para sobrevivermos, é apenas um hábito sustentado por conveniência e teimosia, afinal somos bons egoístas.

O veganismo

Ainda na época ovolacto, por volta dos meus 21 anos, eu sequer provava álcool, sempre achei desnecessário o uso drogas, o que me levou a ver que era legal o movimento Straight Edge, de punks que não usavam drogas e que também não consumiam animais, apesar de não fazer definitivamente parte dele tive alguma admiração o que fez eu adicionar pessoas do meio, uma delas era uma amiga, chamada Ana Kariline, que me pressionou para que me tornasse vegano, o que de alguma forma fez com que eu colocasse um prazo: dizia para mim que viraria vegano depois de 10 anos sem comer carne.

Nesse tempo vi o documentário A Carne É Fraca, vi vídeos, li livros e textos de diferentes autores (Petes Singer, Gary L. Francione, Richard Ryder, Melanie Joy, Sônia T. Felipe, Carlos Naconecy, George Guimarães, entre muitos outros) e comecei a escrever sobre vegetarianismo e veganismo em um blog. Entendi mais sobre filosofia, ética, utilitarismo, objetivismo, entre outras coisas.

Nesta etapa vivi uma contradição, sabia o que era certo mas esperava um prazo inventado acabar para fazê-lo, o sabor do leite, do queijo e do ovo passaram a ser a referência quando deixei as carnes, largá-los era difícil, então precisava de mais um empurrão. Fiz a conexão, mas não era o bastante, a teoria ainda não tinha se tornado prática.

Quando fiz 24 conheci outra vegana, Helena Baccega, convesamos, saímos, namoramos, nos víamos muito. Concordávamos nos debates, o veganismo era definitivamente o mais justo, então não demorou muito para que eu acabasse com o prazo de 10 anos, sendo encurtado para 7. Ela me ajudou a dar este último passo, então deixei de comer todos os produtos de origem animal no final do ano de 2016.

Ativismo vegano

Alguns meses depois de me tornar vegano, resolvi ajudar mais os animais levar meu blog a um novo patamar refazendo o projeto. O que antes eram algumas anotações, neste momento se tornou um projeto com uma ideia muito maior: mapear os grandes nomes do veganismo, divulgar bons artigos, produzir notícias importantes, fazer dossiês, entre outras coisas. Assim nasceu a vegpedia no final de 2017.

O formato foi baseado em outros sites, por exemplo, a parte de artigos inspirada pelo projeto já extinto Pensata Animal e pelo projeto Crítica na Rede, as notícias inspiradas no portal Vista-se, a newsletter inspirada nas newsletters do Jornal Nexo e do Canal Meio, a enciclopédia inspirada na Wikipedia, rankings baseados no Social Blade, assim poderia levar conhecimento e conteúdo relevante para os veganos e para não veganos. O projeto ganhou uma pequena relevância tendo buzz após algumas listas, mas ainda não decolou. Usei também minhas habilidades no design gráfico, minha área de atuação para desenvolver pôsteres que incentivam o veganos num projeto chamado Versos Vegetarianos. Além disso, fiz uma página de humor vegano chamada Problematizações Chiques, um site de notícias satíricas chamado Notícias Animais, fiz um hotsite em português para o documentário Dominion e comecei o projeto de uma revista digital, a V de Vegano e um instagram para postar antes (designervegano).

Depois de algum tempo procurei frequentar mais eventos veganos como o Limeira Veg, Encontro Vegano JMA J’adore, o Vegfest, fui à palestras do Veddas, fiz ativismo de rua com o Anonymous for The Voiceless, acabei conhecendo – mesmo que rapidamente – e passei a acompanhar mais alguns veganos, figuras importantes no movimento vegano nacional, como George Guimarães, Vitor Ávila, Lucas Alvarenga, Thais Goldkorn, Bárbara Miranda, Larissa Maluf, Ricardo Laurino, Esther Teodoro, Raquel Sabino “Kaz”, Bruna Matos, Ioná Ricobello, Patricia Zanella, Aline Lira, Luana Flores, Mariana Vidotto, Natasha Mauerberg, Rafael Tortella, Amanda Corrochano, Ivan Di Simoni, Ana Franck, Aline Baroni, Andrea Fabrete, Renam Penante, Camilla Ceccato, entre outros, e veganos e vegetarianos não tão famosos mas muito importantes como Clarice Ferreira, que me ajudou por algum tempo na vegpedia, Vitor Douglas, Felipe Pradi, Matilde Freitas, e outros.

Complexificando o veganismo

Neste ciclo social, e no meio vegano em geral, é interessante perceber as diferentes visões que as pessoas têm, alguns muito à esquerda outros mais liberais, e notar que a polarização política, que atinge as pessoas em meio a crise política que o Brasil atravessa, cada vez mais também divide os veganos em diferentes grupos bem definidos e ligados à essas suas outras ideologias: veganos pragmáticos/liberais e veganos abolicionistas/anticapitalistas.

Apesar deles se atacarem, por conta de alguns acreditarem em um melhoramento incremental da sociedade capitalista enquanto os outros esperam acabar com este sistema, eu tento entender ambos os lados, para mim é importante que o veganismo esteja disponível para aqueles que têm visões mais radicais e também para aqueles que acreditam em mudanças graduais, portanto, eu como bom agnóstico, não me coloco como dono da verdade, sabendo que tanto o método abolicionista quanto o método pragmático são hipóteses, e ainda não podemos decretá-las verdadeiras ou falsas, descartando uma ou outra. Podemos argumentar e nos basear nos avanços de outros movimentos e suas correntes radicais ou liberais, e mesmo com algumas coisas concretas, outras ainda sim estarão no delicado reino de especulação, assim aceito que a mudança rumo às libertações devem continuar com essa dicotomia, são duas maneiras de ver o mundo que procuram pelo mesmo fim. Agora, procuro evitar o tribalismo convicto e por meio da evidência e da razão tento encontrar um equilíbrio entre o utilitarismo e a teoria dos direitos. Além de procurar conciliar combinação dessas abordagens eu procuro compreender a aplicação do veganismo em diferentes visões políticas – como é o caso do veganismo liberal e do veganismo anticapitalista.

É comum que os indivíduos de uma determinada corrente, ao se deparar com dissenso e argumentos com os quais não concorda, situe aquele outro vegano num campo adversário, ao invés de alianças cria grandes quebras o que não agrega algo para os animais, independente das discordâncias deve haver democracia e o respeito, para assim dar uma maior solidez ao movimento em grandes ocasiões que necessitam da força da união.

Eu acredito que os Direitos Animais devem ser invioláveis como qualquer vegano, mas o mundo ainda não acredita nisso, é necessário ter paciência e continuar na luta para conscientizar que os animais merecem uma vida melhor e livre do egoísmo humano. A realidade me faz também gostar dos argumentos fornecidos por visões utilitaristas. Mas claro, também acredito que ações diretas e protestos contundentes também são importantes.

Nos últimos tempos eu tenho escrito sobre tudo isso, além de apostar fortemente na mudança pela tecnologia, como por exemplo na carne limpa e na indústria de imitações de produtos animais feitos à base de plantas, ambos têm o potencial de uma nova revolução industrial e conseguem suprir o paladar e a memória afetiva de todas as pessoas.

Quando me tornei vegetariano não via as pessoas falando do tema, hoje quase todo mundo fala, nem que seja para o criticar, e se há visibilidade há uma chance ainda maior de crescimento, então o importante é mostrarmos com sensatez e empatia que os animais merecem ser livres. Por isso nos últimos 2 anos gastei em torno de 1500 reais com ativismo vegano e não me importo que não tenha tido retorno. Agora levo muito tempo para gerir meus projetos de defesa animal e espero algum dia trabalhar conseguir trabalhar em alguma ONG vegana e/ou ambientalista, ou mesmo uma empresa, e ajudar ainda mais com ativismo.

O futuro

As crianças são muito novas para entender as consequências daquilo que fazem, e isso se torna ainda mais difícil quando os pais as enganam ou as obrigam não dando possibilidade alguma de pensar sobre. Algumas crianças acabam objetando o ato de comer animais, mas os adultos falam para elas algumas histórias fictícias para que parem de questionar, elas não tem culpa alguma.

Mesmo não tendo incentivado, um dia desses falei para minha irmã que a carne vem de animais, ela chegou em casa e não quis mais comer. Depois acabaram me questionando o porque de ter falado a verdade para ela. Claro, ela voltou a comer carne, acabaram dizendo que é algo necessário ou coisa do tipo. As crianças estão mais evoluídas neste sentido, agora há essa possibilidade, as pessoas que gostam dos animais podem falar para elas que os animais sentem e que eles são aquilo que elas comem.

Mas e os adultos? Adultos com informação, na sociedade da informação, com acessos a internet, a mercados e um cérebro capaz de questionar e realizar mudanças, por que não param? Os humanos têm a capacidade de serem racionais, mas não tomam decisões racionais o tempo todo, ainda mais quando isso exige alguma mudança em suas vidas em que elas estão profundamente ligadas: as pessoas adoram carne, leite, couro, isso lhes dá prazer e status, é afetivo e tradicional, já os vegetais nem tanto. Mesmo diante muitos motivos para não explorar e consumir animais e diversos argumentos racionais, é comum que as pessoas se recusem a mudar efetivamente optando por sabor, prazer e conforto ao invés de um raciocínio filosófico crítico e a abstenção do consumo de animais.

Isto acontece porque costumeiramente as pessoas são relutantes em reconsiderar suas próprias convicções, uma vez que elas se apegam a uma visão elas se inclinam a aceitar todas as suas implicações lógicas, mesmo que sejam absurdas. O apelo à racionalidade das pessoas é bastante difícil, até mesmo para aquelas que se dizem extremamente racionais.

Nossa habilidade para manter a dissonância cognitiva é impressionante, então parece improvável vermos uma grande mudança a curto prazo baseado no convencimento baseado pela evidência e pela razão. Então para resolvermos este problema, e pouparmos a vida dos animais, precisamos de grandes alternativas que vão além do ativismo vegano, precisamos de produtos que se coloquem em pé de igualdade com a carne, o leite, ovos, o couro, o mel, colágeno, gelatina, caseína, sem que a pessoa precise fazer qualquer esforço para mudar. Além do ativismo costumeiro da mudança individual, devemos também focar na mudar de instituições e nos apoiarmos fortemente na tecnologia. Agora, mesmo sendo vegano, vivo sem ilusões das abordagens utópicas, apesar de serem importantes nós precisamos de muitas possibilidades, eu assumi viver com o conflito e acredito tanto nas mudanças individuais como nas mudanças estruturais. Nos últimos meses tenho escrito sobre o embate entre veganos e a possibilidade de mudança tecnológica, mas quem sabe no que estarei apostando daqui alguns anos.

Veganismo até o fim

Eu já li textos que dizem que podemos explorar animais desde que não os façamos sofrer e que não os matemos, quase que como numa relação familiar, mas apesar haver uma argumentação boa nisso não acho que precisamos usá-los de qualquer maneira.

Além dos benefícios para os animais o veganismo ainda traz boas consequências para a espécie humana afinal, a criação de animais em escala industrial é uma das principais destruidoras do meio ambiente e é o ramo que mais têm trabalhadores em regime de escravidão no Brasil. Hoje, para obtenção de qualquer pedaço da carne é preciso criar os animais, confiná-los em algum espaço, alimentá-los e matá-los, este processo demanda uma alta quantia de água, de grãos, de terreno, causa desertificação, desmatamento, contaminação do solo, têm desperdício, uso de agrotóxicos, além ser altamente poluente – do solo e do ar. Então incentivar que as pessoas deixe de comer animais, num olhar macro, é benéfico para todos nós.

Talvez nós nunca cheguemos à uma libertação total dos humanos e dos outros animais, a humanidade pode se destruir antes ou simplesmente pode renunciar a lógica criando novas maneiras de manter a exploração dos bichos, nós não podemos saber de fato, mas o cenário é promissor e devemos continuar trabalhando pelo progresso, afinal há indivíduos que precisam da nossa ajuda e os animais estão entre eles.

Por 18 anos vivi alienado pela cultura, tradição e religião das pessoas que me criaram, colaborei com o confinamento, sofrimento e a morte de muitos animais, algo que é desnecessário. Apesar de ter tido uma ótima educação sobre como tratar as pessoas, a relação de como tratar bem os animais nunca foi sequer colocada, acabei descobrindo por acaso e mudando.

Apesar de ainda comer animais, minha mãe sempre deu suporte e me apoiou nesta mudança, eu também não seria vegano sem a luta dela. Apesar de não ser a pessoa mais sensível do mundo, e apenas ficar incomodado ao ver imagens de animais morrendo, o que me moveu em direção à não prejudicar eles foi a ética. Tornei-me vegetariano e vegano não por pensar em qualquer recompensa, mas sim por acreditar no valor da justiça. Num passo além, resolvi gastar um tempo relevante com o ativismo pelos animais, pois a opressão entre espécies, partindo da imparcialidade e do bom senso, é tão grave quanto as opressões entre humanos (sexismo, racismo, xenofobia, homofobia, etc) e indo além, ela é amplamente aceita e assegurada, por isso está muito mais longe de ser resolvida. Se nós apoiamos uma delas e continuamos a investir numa das outras nós somos parcialmente justos.

Para mim a liberdade nunca pode ser pela metade, portanto, se não gosto de sofrer fazer os outros sofrerem é injusto. Comer animais vai no sentido contrário deste ideal, pois os animais claramente são indivíduos com suas próprias vontades: eles querem autonomia, eles não gostam de ficar confinados, eles têm suas próprias vontades, personalidades, suas interações e conexões sociais. Eles têm seus sentimentos e desejam viver bem suas vidas, então dar à eles uma vida miserável não é justo de qualquer maneira.

Consentimento é uma ideia fundamental que todos deveríamos seguir e se sabemos que os animais não consentem e deliberam sobre nossas ações, explorá-los e matá-los com fins egoístas não tem a ver com liberdade. Agora eu posso enxergar claramente que se a sua liberdade de alguém faz mal aos outros então ela é a maior prisão deste alguém.

Não é ridículo pensar apriori que os animais são inferiores, mas é ridículo continuar pensando e insistindo que eles são inferiores quando descobrimos que não precisamos explorá-los para sobreviver. Foram anos para de fato fazer a conexão, mas agora que ela foi feita, nunca mais será desfeita. Estarei sempre na luta pelo grupo de seres sencientes mais vulneráveis na Terra: os animais não-humanos. Go Vegan.


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