A ascensão e o perigo do conservadorismo-reacionário

Eu tenho uma teoria para esta loucura política toda que vemos hoje. Mudanças culturais excessivas geraram uma anomalia social: a explosão e ascensão política do conservadorismo-reacionário.

Como resposta aos anos de conquistas civis e aceitação de novos grupos sociais que sempre foram marginalizados, esta visão cresceu exponencialmente e agora está travando uma profunda guerra ideológica em nome da tradição, da família e deus.

Nela o valor da busca pela verdade, da ciência, da lógica e da ética, é colocado em último plano, pois acredita-se que vale tudo para resgatar os valores antigos que supostamente estariam se perdendo e levando a sociedade para um abismo – tal abismo é a diversidade.

Eis que espalham-se fake news, crescem as mídias alternativas e se expande o ataque ao conhecimento objetivo e a especialização para fortalecer o discurso dos conservadores que até então “foram calados” em décadas de “dominação” de liberais e marxistas.

Ao mesmo tempo, teorias conspiratórias, como o negacionismo climático, terraplanismo, agenda gay, entre outras, ganham força, afinal a opinião passa também a ter gradualmente mais valor que o conhecimento consolidado até então.

Este fenômeno é mundial, no Brasil temos como bons exemplos Olavo de Carvalho como mentor intelectual – que inventa e dissemina conspirações – e a família Bolsonaro como liderança política – que as usa -, ambos com discursos que beiram a loucura irracional e movem multidões preconceituosas e retrógradas, que antes pouco participavam da política. Claro, essa loucura é fomentada pelo método usado pelos conservadores reacionários – também autointitulados direita alternativa – que é o apelo ao medo, ao ódio e a desumanização.

Vale ressaltar que guerras ideológicas – e a relativização do conhecimento – sempre existiram, vide guerra fria, e ainda existem entre os pólos esquerda-direita, mas a diferença agora é ainda mais preocupante. O reacionarismo exige o passado – uma era de ouro – e não aceita o progresso social, enfrentando assim a tolerância que propõe a democracia. 

Jair Bolsonaro, por exemplo, têm sua mente presa nos anos 60 e 70, basta ver seus discursos, isso nos coloca ainda mais em perigo: ele nega dados robustos, não recorre à técnicos e especialistas e sim à ideólogos, acredita em militarização e violência para resolução de problemas e ataca pessoalmente qualquer dissidente político, radicalizando ainda mais seus fiéis seguidores.

Enquanto neoliberais e neomarxistas tentam adaptar suas ideologias as novas problemáticas – aquecimento global, poluição, pobreza, etc -, os conservadores reacionários, se colocando como outsiders que não são, procuram desenvolvimento aos moldes do século passado pregando nacionalismo, guerra aos direitos humanos e ataques à outros países, indo no sentido contrário da globalização e das relações internacionais diplomáticas, algo que todos aqueles com bom senso humanitário terão que se unir para enfrentar, para que assim as democracias não morram.

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